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about Glass.

Novembro 22, 2009

A resposta mais curta e simples que já consegui dar quando me perguntaram porque escrevo romances foi: porque não sei cantar, nem tocar um instrumento ou compor uma sonata. Não estarei faltando com respeito à literatura se disser, caso um extra-terrestre apareça de repente na minha frente querendo conhecer um pouco da essência do povo da Terra através de sua arte, que o meu primeiro pensamento seria Bach ao invés de Tolstoi. A obra escrita, mesmo as grandes, trata inevitavelmente, até um certo ponto, de uma preocupação local, coisa que a música de uma certa forma não faz. Nossos romances talvez não sejam lidos em Alfa Centauro, mas parece possível que algumas de nossas músicas sejam tocadas. Apaixonado pela múica mas sem talento algum para produzi-la, eu tento compensar escutando música quase toda manhã antes de começar a escrever, para ficar me lembrando sempre de que a linguagem escrita em papel pode ser quase tão rítmica e penetrante quando a obra de Schubert, Van Morrison ou Philip Glass.

A única constante desde que comecei a escrever romances – minha única manifestação ininterrupta como ouvinte fiel – tem sido a obra de Philip Glass. Eu adoro a música de Philip Glass tanto quanto adoro A Senhora Dalloway de Virginia Woolf, e por algumas das mesmas razões. Qual Woolf, Glass está mais interessado naquilo que continua do que naquilo que começa, atinge um climax e termina; ele afirma, conforme fez Woolf, que a beleza se encaixa melhor no presente do que no relacionamento do presente com o passado ou o futuro. Glass e Woolf se desprenderam do âmbito tradicional da estória, seja ela literária ou musical, em favor de algo mais mediativo, menos nitidamente delineado e mais fidedigno à vida. Para mim, Glass consegue encontrar em três notas repetidas algo do estranho arrebatamento de mesmice que Woolf descobriu numa mulher chamada Clarissa Dalloway dando conta de seus afazeres numa prosaica manhã de verão. Nós, humanos, somos criaturas que nos repetimos, e se nos recusarmos a abraçar a repetição – se empacarmos diante da arte que busca enaltecer suas texturas e ritmos, suas infindáveis variações sutis – estaremos ignorando muito do significado que damos à própria vida.

Escutei Philip Glass pela primeira vez na faculdade no início da década de setenta., quando comprei um exemplar do Einstein on the Beach depois de ouvir um trecho no rádio. Coloquei o disco para tocar tantas vezes que o meu colega de quarto ameaçou a me agredir, e acabei comprando um par de fones de ouvido. Eu tocava o disco para quem se deixasse convencer a ouvi-lo, e nisso comecei a entender que eu era uma criatura estranha que, qual a maioria das criaturas estranhas, acreditava-se normal. Muitos dos que convenci a virem ao meu quarto davam mostras de impaciência depois de dez ou quinze minutos de Einstein on the Beach, e os poucos que não davam – aqueles que o adorava tanto quanto eu – eram em geral os espécimes locais mais excêntricos, os mais malucos e solitários, com maiores tendências a obsessões. Essa experiência eu vi se repetir muitas vezes quando empurrava exemplares de A Senhora Dalloway para cima das pessoas, que em geral ficavam perturbadas com o livro quando eu, por minha vez, ficava perturbado com sua perturbação.

Os últimos trinta anos serviram para tirar Glass da margem, asim como o tempo tirou Woolf da aberração e a colocou na linha de frente da literatura mundial. Tenho lido Woolf e escutado Glass a maior parte da minha vida adulta sem jamais me cansar de qualquer um dos dois. Ainda escuto a música de Glass, normalmente assim que acordo de manhã, antes de começar a escrever. Sua música, até um certo ponto, faz parte de tudo que já escrevo. Então, quando soube que ele havia concordado em fornecer a música para a versão cinematográfica de As Horas, ficou parecendo tanto inevitável quanto bom demais para ser verdade. Não sei se conseguiria fazer elogio maior que o seguinte: quando vi o filme depois da música colocada, pensei automaticamente que eu poderia usar a trilha sonora, assim que fosse lançada, para me ajudar a concluir meu próximo livro.

- Michael Cunningham

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and for five minutes… Bree sobbed.

Novembro 15, 2009

macross

Bree sobbed quietly in the restroom for five minutes. But her husband never knew. Because when Bree finally emerged, she was perfect.”

Nunca tinha assistido a primeira temporada de Desperate Housewives. Sempre acompanhei a série achando tudo muito divertido, mas longe de ser aquele primor que todos diziam existir desde o princípio da série. A verdade é que o primeiro ano é, realmente, genial. Possivelmente, uma das temporadas mais refrescantes e originais já exibidas na TV. Deixando de lado as excelências dos episódios, uma cena me marcou bastante no episódio-piloto. E se antes eu já me achava parecido com a Bree Van de Kamp, agora minha certeza aumentou.

Veja bem, eu não sou perfeccionista ao extremo como ela, mas existem muitas coisas parecidas. A cena que me marcou foi justamente aquela em que ela está com o marido Rex no hospital e ele, na cama e debilitado, diz que não tem mais condições de dividir o mesmo teto com ela. Faz inúmeras críticas e, de um jeito objetivo, diz que ela é uma mulher muito difícil de se lidar. Bree dá o seu sorriso educado,  observando o marido, como se acatasse tudo o que ele diz. Desconversa e diz que precisa ir ao banheiro regar as flores que ele recebeu.

Lá, Bree liga a torneira para encobrir os barulhos. Ela se encara no espelho por alguns minutos, pensativa. Seu rosto começa a desmoronar. Até que ela começa a chorar, colocando a mão na boca para não abafar qualquer som característico. Bree chorou por cinco minutos. Mas, quando retornou ao quarto, estava com o rosto limpo e com o típico sorriso educado no rosto. Já passei por inúmeras situações parecidas com essa.  Nos últimos dias não foi diferente. Always giving parties to cover the silence…

Bree sobbed quietly in the restroom for five minutes. But her husband never knew. Because when Bree finally emerged, she was perfect.”
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just a little bit of history repeating.

Outubro 25, 2009

breslin

“Blessed are the forgetful, for they get the better even of their blunders.”

Impressionante como tudo muda de um dia pro outro. Vamos tomar como exemplo a sexta e o sábado dessa semana. A princípio, a sexta já começou chata com clientes ainda mais chatos me incomodando. Logo depois, fui brindado com uma aula que me mostrou o quanto eu já esqueci de InDesign. Pra completar, acabei a noite ouvindo Philip Glass logo depois de enxergar algumas coisas que parecem just a little bit of history repeating. São fatos que me lembram demais um passado negro e que, sinceramente, me incomodam demais. Não consegui conter uma coisa que surgiu dentro de mim e fiquei bem mal, perdendo o sono…

O sábado parecia que ia seguir o mesmo caminho, especialmente por causa da chuva que me pegou de surpresa e me deixou pingando. Mas, tive uma aula excepcional com um fotógrafo da Zero Hora e, mais do que nunca, tive a certeza que o jornalismo é o meu futuro – e não o teatro ou o cinema como muitos dizem (esses, planos secundários que, também, planejo um dia realizar). Adoro essas histórias de entrar no mundo das pessoas, de reportar fatos e de escrever sobre histórias. Talvez, porque eu queira sempre fugir das minhas e me envolver com as dos outros…

Depois da aula, tinha tudo para ser mais um dia normal. Porém, tive o meu melhor dia até hoje no trabalho. Conheci um novo colega digno de elogios – possivelmente, a pessoa com quem eu mais me dei bem em uma primeira conversa até hoje – que, além de ser uma ótima pessoa, tem um conhecimento cinematográfico muito grande (o que, até agora, eu não tinha encontrado por lá). Além disso, tive o prazer de reencontrar uma pessoa muito especial da minha vida. Uma pessoa que, na hora em que eu cumprimentei, me levou para a completa emoção.

Foi assim, então, que eu saí da amargura emocional de uma sexta-feira e entrei na alegria de um sábado. É realmente interessante como tudo muda de um dia pro outro. E, por mais que algumas coisas fiquem sempre borbulhando, sempre resta outras coisas que podem compensar as pequenas faltas de harmonia. Pena que isso só acontece quando eu estou com a minha cabeça ocupada. Pra mim, aquele ditado funciona: cabeça parada é oficina do diabo.

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always the hours – season two.

Outubro 21, 2009

2X01 CONNECTION? (original air date: 5 may 2009)

about a doubt of a connection.

2X02 CURSE (original air date: 9 may 2009)

about hating someone forever.

2X03 SPELL (FINITE INCANTATEN) (original air date: 10 may 2009)

about the end of a connection.

2X04 DESIRE (original air date: 19,20 may 2009)

about desire, all the time.

2X05 ESCAPE (original air date: 25 may 2009)

about someone getting lost.

2X06 SHOW (original air date: 5 june 2009)

about ABBA show.

2X07 PARTY (original air date: 6 june 2009)

about a party before birthday.

2X08 EIGHTEEN (original air date: 7 june 2009)

about turning into 18.

2X09 TEARS (original air date: 15 june 2009)

about unexpected tears.

2X10 LOST (original air date: 29 june 2009)

about being emotionally lost.

2X11 MISUNDERSTANDING (original air date: 1 july 2009)

about the first real misunderstanding.

2X12 ARMY (original air date: 6 july 2009)

about a stupidity called army.

2X13 QUESTION (original air date: 18 july 2009)

about a strange question.

2X14 CONFLICT (original air date: 25 july 2009)

about a major conflict.

2X15 SECRET (original air date: 8,9 august 2009)

about a secret night.

2X16 RE-ENCOUNTER (original air date: 17 august 2009)

about a great re-encounter.

2X17 CONFLICT – PART II (original air date: 19 august 2009)

about another major conflict.

2X18 SADNESS (original air date: 20 august 2009)

about a terrible sadness.

2X19 FREE (original air date: 22 august 2009)

about getting free of all problems.

2X20 JOB (original air date: 27 august 2009)

about getting a job.

2X21 DRUNK (original air date: 30 august 2009)

about drinking and getting drunk.

2X22 ROBBERY (original air date: 9 september 2009)

about another robbery.

2X23 PIXAR (original air date: 22 september 2009)

about Up and Pixar.

2X24 PLANS (original air date: 24 september 2009)

about making plans.

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some things you never forget.

Outubro 13, 2009

Querido Matheus,

Cheguei no shopping para comprar o teu presentinho de dia da criança (quanta saudade…) e fiquei perplexa ao percerber o quanto estou sem saber dos teus gostos… Logo eu, que sempre soube. É que tu cresceu, fala outra língua que já não é mais a língua da velha avó. Aí, senti que o tempo passa muito depressa. Na Saraiva, não encontrei o livro que tu gostaria de ler ou o cd que tu gostaria de ouvir, já que as canções que tu ouve são em inglês… Não tenho medo da velhice, mas ela traz muita solidão… Comprei os doces que tu gostava quando criança para matar a saudade e voltei a ser criança. Ser criança é a maior alegria do mundo! Nesse dia, desejo que tu nunca perca a alegria de ser criança…

ps: Corrige o texto já! Poucos avós tem o orgulho de ter um neto que escreve tão bem!

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never say never.

Outubro 9, 2009

never

Today is tomorrow.”

Nos últimos tempos, parei com a mania de dizer nunca.

Praticamente tudo em que eu aplicava essa palavra está se tornando verdade.

Eu disse que nunca a vida iria me conceder um show de uma banda que eu gostasse.

Eu disse que nunca a vida iria me deixar conhecer certas pessoas que moram longe.

Eu disse que nunca iria me deixar levar com coisas de sentimentos.

Eu disse que nunca iria dizer algumas verdades sobre mim para os outros.

Eu disse que nunca iria ser uma pessoa popular.

Eu disse que nunca iria trapacear para ir bem na faculdade.

Eu disse que nunca iria cair em clichês adolescentes.

Eu disse tanto nunca que hoje não tenho mais onde empregá-lo.

Simplesmente porque os meus nuncas nunca se cumprem.

Nunca não existe. Nem nunca vai existir.

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stuff we did.

Setembro 23, 2009

A Pixar conseguiu, em cerca de quatro minutos, contar o que muito filme não consegue em duas horas. Eu não tinha expectativas com Up – Altas Aventuras e realmente não acho que ele supere WALL-E ou Ratatouille. Mas, sem dúvida, é o mais emocionante. Conseguiu me conquistar com sua sensibilidade e com suas reflexões. E é por isso que o filme tem uma beleza própria. “Thanks for the adventure. Now go find one of your own.”