Dia 26 de fevereiro.
Dia da estreia de Direito de Amar.
Dia também de um amor sem escalas.
Dia em que the earth will stand still.
Até o dia primeiro de março.

Dia 26 de fevereiro.
Dia da estreia de Direito de Amar.
Dia também de um amor sem escalas.
Dia em que the earth will stand still.
Até o dia primeiro de março.


“And… It turned out to be Julia“
Comentei no meu blog de cinema que 2009 não foi um grande ano para mim na sétima arte. O mesmo pode se aplicar ao resto da minha vida. O ano que passou, sem dúvida, não foi um dos melhores. Mas o que posso dizer com a maior certeza é que foi um dos que mais me trouxe oportunidades. Nunca conheci tanta gente nova em minha vida. Nunca vi o meu círculo de relacionamentos tão amplo. E pensar que eu comecei 2009 muito receoso, principalmente em relação à faculdade…
No entanto, tudo se resolveu e eu consegui tirar o maior proveito de todas as situações que me foram apresentadas. Eu nunca fui tão feliz em um ambiente escolar. Nunca aprendi tanto sobre sinceridade e cumplicidade com uma pessoa. Nunca fui tão otimista com as minhas escolhas. Nunca me senti tão satisfeito com os rumos que eu tomei. 2009, portanto, não foi aquele ano que me marcou de forma extraordinária, mas foi o que mais me trouxe coisas novas.
2010, no final das contas, já começa diferente por causa de 2009. Tudo porque, em menos de um mês, terei um dos grandes momentos da minha vida. A princípio, para alguns, pode parecer uma mera viagem ou um mero show. Mas, pra mim, significa muita coisa. A viagem de fevereiro significa muito mais do que passar quatro dias com alguém que eu nunca consigo ficar um dia inteiro, por exemplo. Significa muito mais do que conhecer alguém que, durante anos, se firma como um amigo especial. Significa mais uma vitória… A primeira desse ano.


Troféu Esclerose
Rubens Ewald Filho, cada vez mais gay e descoordenado em seus comentários, lançou site e agora tem um blog. Com suas frases sem sentido, pontuações erradas, informações trocadas e comentários out of nowhere, ele foi a grande sensação entre a geriatria de 2009.

Troféu Fênix
Renascendo das cinzas, a italiana Sophia Loren abalou quando subiu ao palco com visual impressionante para anunciar a indicação da “astonishing” Meryl Streep, que completava “fifteen?” nominations. Com muito jogo de cintura e um sotaque hilário, voltou à ativa e ainda terá uma participação no musical “Nine”.

Troféu Nasce Uma Estrela
Quem diria que aquela mulher que enche as páginas de cinema da Veja poderia ser tão divertida? Cheia de looks interessantes (quem não fica ansioso para ver o visual dela logo depois da vinheta de abertura?), bordões memoráveis e frases de efeito, Boscov é a melhor crítica de cinema em atividade da internet.

Troféu Humilhação em Cena
Qualquer uma da Glenn Close com a Rose Byrne. Ellen Parsons pode ficar fazendo um monólogo durante horas enquanto a Patty Hewes só fica olhando pra ela chorando e murmurando que não vai adiantar de nada. Se Byrne já é fraca por natureza, imagina perto de Close. Chega a ser até covardia.

Troféu Regina Duarte
Kristen Stewart é caras e bocas na saga “Crepúsculo”, mas nada supera as expressões dela em “Lua Nova”. Duelando com Robert Pattinson e Taylor Lautner pra ver quem consegue ser o pior em cena, Stewart leva a melhor com sua expressividade que nos remete às extraordinárias intepretações melancólicas de uma certa atriz brasileira.

Troféu Chata do ano
Hiperativa, chata, teimosa, abobada e por aí vai… A Poppy de “Simplesmente Feliz” é uma das criaturas mais irritantes que já transitaram pela história do cinema. Conversa com mendigos de madrugada, fala com livros e ainda não vê nada demais em ser roubada. Bem fez o instrutor em puxar os cabelos dela.

Troféu “Viva La Vida”
Susan Sarandon, no auge de seus 63 anos, largou o marido Tim Robbins depois de 23 anos de casamento. Ainda por cima, dizem que ela fez isso em função de um caso que teria com um rapaz de 31 anos de idade. Haja vitalidade e disposição, hein, sra. Sarandon!

Troféu “Sou Melhor do Que Aparento”
Depois da terrível trilogia “High School Musical”, o astro teen Zac Efron mostrou que tem talento sim. “17 Outra Vez” pode até ser aquela bobice de sempre, mas o rapaz mostrou desenvoltura e grande simpatia, segurando o filme sozinho e deixando até o Matthew Perry, de “Friends”, em completo segundo plano.

Troféu “Sim, eu sou ridícula”
Marília Gabriela estava bem “I don’t care” em “Cinquentinha”. Assumiu um papel ridículo com unhas e dentes e se aproveitou disso. A ridicularidade da personagem e das caras e bocas da atriz se tornaram puro humor. Ela até disse, na hora em que estava se pegando com um personagem: “Vem que eu vou te comer”.

Troféu “Eu disse”
Sempre quando brasileiro faz muita polêmica em cima de algo, pode contar que não é nada. Eu sempre disse que esse “Do Começo ao Fim” não teria nem a metade da polêmica anunciada. Dito e feito, o longa foi massacrado até pelo público-alvo.

Lia o tempo todo. Devia ter nove anos quando comprei meu primeiro livro. Como ninguém me disse o que devia ler, nem me recomendou o quer que fosse, fiz minhas descobertas sozinho. Não sei se eu era maduro, mas hoje percebo que as coisas que me interessam agora já me interessavam naquela época. Não precisei de educação para descobri-las; elas me foram reveladas muito cedo. Eu estava sozinho, completamente sozinho. Houve poucas trocas nas relações que tive com os meus colegas, nossos interesses não eram os mesmos. Entrei em contato com tudo que gostava na mais absoluta solidão. Mas as crianças desenvolvem uma grande força na solidão. Também podem desenvolver uma grande neurose, mas por sorte não foi o que me aconteceu, com certeza porque era também um espectador muito bom da vida dos outros. Mas, apesar de tudo, uma testemunha, nunca um participante.
- Pedro Almodóvar

A resposta mais curta e simples que já consegui dar quando me perguntaram porque escrevo romances foi: porque não sei cantar, nem tocar um instrumento ou compor uma sonata. Não estarei faltando com respeito à literatura se disser, caso um extra-terrestre apareça de repente na minha frente querendo conhecer um pouco da essência do povo da Terra através de sua arte, que o meu primeiro pensamento seria Bach ao invés de Tolstoi. A obra escrita, mesmo as grandes, trata inevitavelmente, até um certo ponto, de uma preocupação local, coisa que a música de uma certa forma não faz. Nossos romances talvez não sejam lidos em Alfa Centauro, mas parece possível que algumas de nossas músicas sejam tocadas. Apaixonado pela múica mas sem talento algum para produzi-la, eu tento compensar escutando música quase toda manhã antes de começar a escrever, para ficar me lembrando sempre de que a linguagem escrita em papel pode ser quase tão rítmica e penetrante quando a obra de Schubert, Van Morrison ou Philip Glass.
A única constante desde que comecei a escrever romances – minha única manifestação ininterrupta como ouvinte fiel – tem sido a obra de Philip Glass. Eu adoro a música de Philip Glass tanto quanto adoro A Senhora Dalloway de Virginia Woolf, e por algumas das mesmas razões. Qual Woolf, Glass está mais interessado naquilo que continua do que naquilo que começa, atinge um climax e termina; ele afirma, conforme fez Woolf, que a beleza se encaixa melhor no presente do que no relacionamento do presente com o passado ou o futuro. Glass e Woolf se desprenderam do âmbito tradicional da estória, seja ela literária ou musical, em favor de algo mais mediativo, menos nitidamente delineado e mais fidedigno à vida. Para mim, Glass consegue encontrar em três notas repetidas algo do estranho arrebatamento de mesmice que Woolf descobriu numa mulher chamada Clarissa Dalloway dando conta de seus afazeres numa prosaica manhã de verão. Nós, humanos, somos criaturas que nos repetimos, e se nos recusarmos a abraçar a repetição – se empacarmos diante da arte que busca enaltecer suas texturas e ritmos, suas infindáveis variações sutis – estaremos ignorando muito do significado que damos à própria vida.
Escutei Philip Glass pela primeira vez na faculdade no início da década de setenta., quando comprei um exemplar do Einstein on the Beach depois de ouvir um trecho no rádio. Coloquei o disco para tocar tantas vezes que o meu colega de quarto ameaçou a me agredir, e acabei comprando um par de fones de ouvido. Eu tocava o disco para quem se deixasse convencer a ouvi-lo, e nisso comecei a entender que eu era uma criatura estranha que, qual a maioria das criaturas estranhas, acreditava-se normal. Muitos dos que convenci a virem ao meu quarto davam mostras de impaciência depois de dez ou quinze minutos de Einstein on the Beach, e os poucos que não davam – aqueles que o adorava tanto quanto eu – eram em geral os espécimes locais mais excêntricos, os mais malucos e solitários, com maiores tendências a obsessões. Essa experiência eu vi se repetir muitas vezes quando empurrava exemplares de A Senhora Dalloway para cima das pessoas, que em geral ficavam perturbadas com o livro quando eu, por minha vez, ficava perturbado com sua perturbação.
Os últimos trinta anos serviram para tirar Glass da margem, asim como o tempo tirou Woolf da aberração e a colocou na linha de frente da literatura mundial. Tenho lido Woolf e escutado Glass a maior parte da minha vida adulta sem jamais me cansar de qualquer um dos dois. Ainda escuto a música de Glass, normalmente assim que acordo de manhã, antes de começar a escrever. Sua música, até um certo ponto, faz parte de tudo que já escrevo. Então, quando soube que ele havia concordado em fornecer a música para a versão cinematográfica de As Horas, ficou parecendo tanto inevitável quanto bom demais para ser verdade. Não sei se conseguiria fazer elogio maior que o seguinte: quando vi o filme depois da música colocada, pensei automaticamente que eu poderia usar a trilha sonora, assim que fosse lançada, para me ajudar a concluir meu próximo livro.
- Michael Cunningham


“Bree sobbed quietly in the restroom for five minutes. But her husband never knew. Because when Bree finally emerged, she was perfect.”
Nunca tinha assistido a primeira temporada de Desperate Housewives. Sempre acompanhei a série achando tudo muito divertido, mas longe de ser aquele primor que todos diziam existir desde o princípio da série. A verdade é que o primeiro ano é, realmente, genial. Possivelmente, uma das temporadas mais refrescantes e originais já exibidas na TV. Deixando de lado as excelências dos episódios, uma cena me marcou bastante no episódio-piloto. E se antes eu já me achava parecido com a Bree Van de Kamp, agora minha certeza aumentou.
Veja bem, eu não sou perfeccionista ao extremo como ela, mas existem muitas coisas parecidas. A cena que me marcou foi justamente aquela em que ela está com o marido Rex no hospital e ele, na cama e debilitado, diz que não tem mais condições de dividir o mesmo teto com ela. Faz inúmeras críticas e, de um jeito objetivo, diz que ela é uma mulher muito difícil de se lidar. Bree dá o seu sorriso educado, observando o marido, como se acatasse tudo o que ele diz. Desconversa e diz que precisa ir ao banheiro regar as flores que ele recebeu.
Lá, Bree liga a torneira para encobrir os barulhos. Ela se encara no espelho por alguns minutos, pensativa. Seu rosto começa a desmoronar. Até que ela começa a chorar, colocando a mão na boca para abafar qualquer som característico. Bree chorou por cinco minutos. Mas, quando retornou ao quarto, estava com o rosto limpo e com o típico sorriso educado no rosto. Já passei por inúmeras situações parecidas com essa. Nos últimos dias não foi diferente. Always giving parties to cover the silence…


“Blessed are the forgetful, for they get the better even of their blunders.”
Impressionante como tudo muda de um dia pro outro. Vamos tomar como exemplo a sexta e o sábado dessa semana. A princípio, a sexta já começou chata com clientes ainda mais chatos me incomodando. Logo depois, fui brindado com uma aula que me mostrou o quanto eu já esqueci de InDesign. Pra completar, acabei a noite ouvindo Philip Glass logo depois de enxergar algumas coisas que parecem just a little bit of history repeating. São fatos que me lembram demais um passado negro e que, sinceramente, me incomodam demais. Não consegui conter uma coisa que surgiu dentro de mim e fiquei bem mal, perdendo o sono…
O sábado parecia que ia seguir o mesmo caminho, especialmente por causa da chuva que me pegou de surpresa e me deixou pingando. Mas, tive uma aula excepcional com um fotógrafo da Zero Hora e, mais do que nunca, tive a certeza que o jornalismo é o meu futuro – e não o teatro ou o cinema como muitos dizem (esses, planos secundários que, também, planejo um dia realizar). Adoro essas histórias de entrar no mundo das pessoas, de reportar fatos e de escrever sobre histórias. Talvez, porque eu queira sempre fugir das minhas e me envolver com as dos outros…
Depois da aula, tinha tudo para ser mais um dia normal. Conheci um novo colega digno de elogios – possivelmente, a pessoa com quem eu mais me dei bem em uma primeira conversa até hoje – que, além de ser uma ótima pessoa, tem um conhecimento cinematográfico muito grande. Além disso, tive o prazer de reencontrar uma pessoa muito especial da minha vida. Uma pessoa que, na hora em que eu cumprimentei, me levou para a completa emoção.
Foi assim, então, que eu saí da amargura emocional de uma sexta-feira e entrei na alegria de um sábado. É realmente interessante como tudo muda de um dia pro outro. E, por mais que algumas coisas fiquem sempre borbulhando, sempre resta outras coisas que podem compensar as pequenas faltas de harmonia. Pena que isso só acontece quando eu estou com a minha cabeça ocupada. Pra mim, aquele ditado funciona: cabeça parada é oficina do diabo.