Arquivo de Julho, 2007

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Desperate Houseson.

Julho 31, 2007

Pois é, quando eu não estou em uma solidão gritante ou ocupado com essa coisa ridícula chamada colégio, eu estou no meio do stress. Porque os adultos são tão estressados? Sinceramente, não dá pra entender. Mais inexplicável ainda é o porquê de descontarem a raiva nos outros. No meu penúltimo dia de férias, resolvi ir ao cinema (coisa que não faço a quase um mês, quando conheci o Pedro ao ver Ratatouille). Como estou praticando o ócio constantemente, cheguei no shopping com duas horas de antecedência. Eu tinha uma certa verba disponível pra fazer uma compra na livraria Cultura, mas depois de ver todas (sim, todos, uma por uma!) trilhas sonoras, nenhuma me interessou. E pela primeira vez não quis nenhum dvd ou livro. Enfim, saí de lá de mãos abanando, por livre e espontânea vontade. Sozinho, como sempre, ainda dei uma olhada nas sessões de livros que eu nunca tinha visto e lá fui eu pra bilheteria, ainda faltando uma hora pro filme. Bobby, sala 02, 16h, R$ 4.5o. Como a sala só abre minutos antes da sessão, fiquei sentado no banco do hall do cinema, sobservando as pessoas. E, meu Deus!, como existe gente estranha e estúpida vagando pelas salas do cinema! É óbvio que tinham alguns intelectuais sentados num canto, como eu, esperando a sessão. Mas como eu sou bem anti-social, nunca puxo assunto com quem eu não conheço. Comecei a ser tomado pelo tédio (antes no shopping do que em casa, né!), e algumas crianças começaram a aparecer – algumas saindo da sessão de Harry Potter e outras esperando pela sessão de Ratatouille. Logo, o Unibanco Arteplex começou a ser tomado por gritos histéricos, crianças correndo, outras chorando. Finalmente abriram as portas para o filme. Chegando lá, fiquei um bom tempo sozinho na sala, até que a sala lotou. Fiquei bastante impressionado com isso, já que Bobby está entrando em cartaz num período de blockbusters e não tem grande apelo comercial. Depois da sessão, voltei pra casa e voltei a minha tradicional rotina. Uma rotina de Desperate Houseson. Resolvi voltar para o colégio, nessa quinta, já que é a opção menos massacrante. O que me resta é esperar que as pessoas voltem logo de viagem. Eu nunca pensei que me fizessem tanta falta!

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Music and Lyrics

Julho 25, 2007

Pra falar a verdade, eu nunca tive uma aula decente de literatura. Durante toda a minha vida escolar, as aulas de literatura sempre eram uma idiotice, o professor lia o que estava escrito no livro e pedia que os alunos fizessem os exercícios. Eu sempre fiquei bem decepcionado com isso porque, afinal de contas, literatura é uma de minhas matérias favoritas, eu amo ler e também porque me identifico muito mais com as ciências humanas do que com as exatas. Como eu desaprovava esse método medieval, eu me recusava a fazer o que o professor pedia. Nesse ano, quando eu mudei de colégio, acabei conhecendo a professora de literatura mais extraordinária que já vi na vida. Sislâine Regina Geiger, ou simplesmente Sissi, é uma completa apaixonada pela literatura brasileira: sempre cantarolando poemas, formando frases com fragmentos de poesias, fazendo paralelos entre passado/futuro ou incentivando a leitura. Discutindo a vida dos poetas românticos em sua primeira fase, ela acabou por traçar um paralelo entre a solidão dos românticos e a solidão dos jovens dos dias de hoje.

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Os poetas românticos morriam por amor. Sofriam horrores pela mulher amada. Ou entravam em profunda depressão por causa de sua vida infeliz. O que eles faziam? Se trancavam em seus quartos e escreviam no papel tudo o que sentiam. Quando não faziam isso, iam para os bares (mais conhecidos como ‘tavernas’), faziam lá suas poesias ou histórias macabras e bebiam até não poder mais. Eles faziam tudo isso com 17/18 anos. Hoje, por alguma razão inexplicável, os jovens têm problemas em demonstrar seus sentimentos. Vergonha? Medo? Ou porque serão discriminados por isso? Bom, não importa. Como não colocam pra fora o que sentem, os jovens de hoje prendem suas angústias e agonias dentro de si. Eles fecham a cara, ficam mudos, colocam fones de ouvido e acabam indo para outra atmosfera. Ou vocês acham que todos os adolescentes escutam música na rua e no ônibus só porque gostam? Não é bem assim. A música dentro de cada MP3 é uma forma de refúgio, é como se existisse uma bolha na volta de cada um, como se dissesse: “Esse é o meu espaço. Eu não quero falar. Quero ficar com meus sentimentos. Sofrer aqui, sozinho.”. Esses jovens podem ser comparados com os antigos poetas poetas, não com pessoas depressivas, suicidas ou estranhas. Eles estão processando as suas emoções. Quando não estã0, por livre e espontânea vontade presos no quarto e no computador, saem pra rua com fones de ouvido, para não ter que sair do mundo deles.

Simplesmente, depois dessa aula, acabei admirando essa mulher. Precisa dizer porque? Depois daquele terrível assalto, onde meu mp4 foi levado, sair nas ruas não tem a mesma graça. O mundo lá fora é insuportável sem a minha música e sem minha bolha.

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Férias Frustradas

Julho 23, 2007

O evento mais esperado por mim todo ano, depois do Oscar e do meu aniversário, são as férias. Como é bom se livrar do colégio, de colegas estúpidos, de trabalhos idiotas, de professores insuportáveis e da maldita rotina. Depois de uma semana bem estressante no colégio, de me decepcionar com algumas pessoas e de me sentir distante de outras, finalmente as férias chegaram. Mas quando eu me dei conta, todos estavam com as malas feitas, prontos para viajar… Todos, menos eu. Foi nesse momento que eu vi que essas férias seriam bem frustrantes e que a minha única companhia mesmo seriam os meus velhos companheiros filmes, já que não aguento mais ficar no computador sem fazer nada (apesar de ser uma forma de passar o tempo).

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Além de ler o último livro do Harry Potter – The Deathly Hallows e acabar de ler A Sangue Frio, de Truman Capote, decidi separar todos os filmes que eu precisava rever. Portanto, a lista ficou assim: As Invasões Bárbaras, O Show de Truman, Chinatown, Peixe Grande e Sideways. Mas além dos filmes, resolvi também que chegou a hora de eu me familiarizar melhor com o mundo dos seriados, portanto, comecei a assistir o ótimo Dexter, a terceira temporada da minha segunda série favorita Desperate Housewives e a primeira temporada de Brothers And Sisters. Ainda quero ir no cinema ver Transformers, Saneamento Básico, Ela é a Poderosa e Bobby. Já que todos foram viajar e poucos ficaram aqui, ficarei com o meu amigo favorito – o cinema. Se alguém lê essa porcaria aqui ou se importa comigo e tiver algum programa para as férias, contate-me.

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Ecótono

Julho 21, 2007

Everytime I believe in a happy ending, I get severely fucked.

Eu tenho a mania de me transformar e agir como alguns personagens do cinema, mas raramente eu entro em personagens perigosos ou assassinos. Porém, devido ao um extremamente desagradável e perturbador acontecimento que apareceu na minha vida nessa quarta feira, foi inevitável eu não entrar na alma de um assassino. Tomado de raiva pelo assalto que acabara de me acontecer, tive vontade de ser um daqueles garotos do filme Elefante que fizeram um massacre em Columbine. Queria ir na escola daqueles malditos maloqueiros e atirar em ambos, até não ver mais nenhum movimento deles. Como diria Beatrix Kiddo: eles merecem sofrer até o último suspiro. É impossível explicar o turbilhão de sentimentos que se apossaram de mim durante e depois do assalto. Não existe ninguém que possa te consolar ou nada que possa amenizar a situação. E volto a repetir: ninguém tem culpa. Got it? O que vem à mente são questionamentos, indignação e raiva. É justo alguém tirar algo seu? Quem leva seus pertences não merece ser severamente punido? Porque não podemos viver em paz, seguros e despreocupados? São perguntas que têm respostas, mas nunca terão solução. É por essa e por outras, que fui sempre a favor da pena de morte.

No fim da quinta temporada do meu seriado favorito, A Sete Palmos, somos apresentados a um ecótono. Um homem, caminhando por algum parque florestal é atacado por uma jaguatirica, e acaba por morrer. Logo, Nate(Peter Krause, o protagonista da série) explica o acontecimento. É o ecótono – quando dois mundos diferentes compartilham o mesmo espaço e entram em choque. No caso do episódio, animais selvagens vivem no mesmo meio que as pessoas. Creio que, nessa quarta-feira, fui vitima de um ecótono. Fui vitima do convivio de pessoas de bem e civilizadas com pessoas marinais e delinqüentes. É o ecótono que existe em Porto Alegre. A sensação que fica é de estado vegetativo, questionamento e vazio.

Mas, enfim, lá fui eu pelas ruas, como se cada passo pesasse uma tonelada. Chegando em casa, o silêncio gritava nos meus ouvidos, e acabei voltando ao papel da depressiva Laura Brown de As Horas, tentando ir em frente como se nada tivesse acontecido e como se a minha vida fosse perfeita e nada pudesse destruir isso. Mas assim como Laura, dessa vez tive que botar pra fora tudo o que eu sentia. E foi exatamente o que fiz durante longos minutos. Depois durmi e não vi mais nada. Enfim, com esse post venho mostrar todo o meu ódio com a situação desse país. Antes, achava que era só em cidades mais marginalizadas que acontecia esse tipo de coisa, mas até na capital do Rio Grande do Sul, que tem um bom índice de qualidade de vida, essas coisas acontecem. Nada se justifica. E a alma violenta e mortal do filme Elefante continua dentro de mim.