
Ecótono
Julho 21, 2007Everytime I believe in a happy ending, I get severely fucked.
Eu tenho a mania de me transformar e agir como alguns personagens do cinema, mas raramente eu entro em personagens perigosos ou assassinos. Porém, devido ao um extremamente desagradável e perturbador acontecimento que apareceu na minha vida nessa quarta feira, foi inevitável eu não entrar na alma de um assassino. Tomado de raiva pelo assalto que acabara de me acontecer, tive vontade de ser um daqueles garotos do filme Elefante que fizeram um massacre em Columbine. Queria ir na escola daqueles malditos maloqueiros e atirar em ambos, até não ver mais nenhum movimento deles. Como diria Beatrix Kiddo: eles merecem sofrer até o último suspiro. É impossível explicar o turbilhão de sentimentos que se apossaram de mim durante e depois do assalto. Não existe ninguém que possa te consolar ou nada que possa amenizar a situação. E volto a repetir: ninguém tem culpa. Got it? O que vem à mente são questionamentos, indignação e raiva. É justo alguém tirar algo seu? Quem leva seus pertences não merece ser severamente punido? Porque não podemos viver em paz, seguros e despreocupados? São perguntas que têm respostas, mas nunca terão solução. É por essa e por outras, que fui sempre a favor da pena de morte.
No fim da quinta temporada do meu seriado favorito, A Sete Palmos, somos apresentados a um ecótono. Um homem, caminhando por algum parque florestal é atacado por uma jaguatirica, e acaba por morrer. Logo, Nate(Peter Krause, o protagonista da série) explica o acontecimento. É o ecótono – quando dois mundos diferentes compartilham o mesmo espaço e entram em choque. No caso do episódio, animais selvagens vivem no mesmo meio que as pessoas. Creio que, nessa quarta-feira, fui vitima de um ecótono. Fui vitima do convivio de pessoas de bem e civilizadas com pessoas marinais e delinqüentes. É o ecótono que existe em Porto Alegre. A sensação que fica é de estado vegetativo, questionamento e vazio.
Mas, enfim, lá fui eu pelas ruas, como se cada passo pesasse uma tonelada. Chegando em casa, o silêncio gritava nos meus ouvidos, e acabei voltando ao papel da depressiva Laura Brown de As Horas, tentando ir em frente como se nada tivesse acontecido e como se a minha vida fosse perfeita e nada pudesse destruir isso. Mas assim como Laura, dessa vez tive que botar pra fora tudo o que eu sentia. E foi exatamente o que fiz durante longos minutos. Depois durmi e não vi mais nada. Enfim, com esse post venho mostrar todo o meu ódio com a situação desse país. Antes, achava que era só em cidades mais marginalizadas que acontecia esse tipo de coisa, mas até na capital do Rio Grande do Sul, que tem um bom índice de qualidade de vida, essas coisas acontecem. Nada se justifica. E a alma violenta e mortal do filme Elefante continua dentro de mim.










