Um sábado nada amigável…
Eu nunca consigo dormir até muito tarde. Não sei se é em função do hábito de acordar cedo todos os dias, mas meu horário habitual de levantar da cama é entre 9h e 9h30. Nos felizes dias que consigo dormir até tarde, sinto-me renovado. Só que esses dias nunca existem, pois sempre aparece alguma coisa pra me atrapalhar. Primeiramente eu já desisti de tentar dormir de tarde – é aspirador de pó, gente gritando pensando que os outros são surdos, pessoas inúteis batendo na porta pra vender alguma coisa ou telefone tocando constantemente com parentes querendo bater o famoso “papo-furado”. Fiiquei até impressionado quando acordei nesse sábado e vi que era 11h. Assim que desliguei o celular para retornar ao sono, alguém teve a feliz idéia de ligar o home theater na sala e ouvir o cd “Chitãozinho & Xororó – Natal em Família“. Duas irritações nesse momento. 1) Chitãozinho & Xororó cantando com Sandy & Junior. 2)Músicas de Natal. Minha tentativa de ignorar a música (“Pobreziiiiinho, nasceeeeeu em Beléééém”) foi inútil, mas tentei ignorar. Até que chega a minha digníssima vó e abre a janela do quarto bem na minha cara, com aquele sol radiante! Aí desisti completamente. Depois ela volta e me convoca para uma missão impossível: tirar o gato que ficou preso embaixo do sofá. Como eu sou uma pessoa muito bem humorada pela manhã (só falto bater em alguém) fui lá. Demorei vários minutos, mas consegui tirar aquele demônio. Peguei aquela gata maldita (a única da casa que eu ODEIO, simplesmente porque ela tem mania e prazer em me irritar com seus miados incessantes) e espantei pra bem longe.
A cozinha estava interditada de gente e nem consegui tomar ou comer nada. De repente chega minha mãe dizendo que veio me buscar para o churrasco do irmão do namorado dela. Eu dei um olhar pra ela e em seguida ela retrucou “mas tu tá sempre de mal humor, nunca satisfeito com nada, saiu a tarde inteira ontem…” e eu, calmamente, respondi: “eu não disse nada.”. Tentei ser o mais simpático possível e fui para o tal churrasco (coisa que odeio: churrasco + cerveja + pagode bem alto + parentada rindo o tempo inteiro + calor infernal + nada pra fazer). Fiquei sentado lá na sala, comendo o mínimo possível e lendo os jornais e revistas que tinham por lá. Será que sou o único que odeia esse tipo de reunião familiar? Hora de ir embora. Matheus secretamente faz uma cara maligna e de vitória. Entrando no carro, meu irmão e minha mãe confabulam: “ah, tá tão quente… podíamos ir na piscina né”. O oferecido do meu irmão (fazendo de tudo para agradá-la, após saber que foi reprovado no colégio) concorda com a maior alegria. Eu, pra não ser criticado furiosamente de novo, faço um aceno com a cabeça concordando. E lá partimos para casa, pegamos as roupas apropriadas e fomos para o Grêmio Náutico Gaúcho…
Depois de alguns minutos, chegamos lá e até tive a felicidade de ver uma piscina, afinal estava 35ºC e eu odeio calor. Fui pro vestiário, troquei-me e fui pra piscina. Mergulho, faço minhas meditações sob a água (sim, eu penso muito melhor embaixo d’água) e quando retorno à superfície, vejo o céu completamente nublado. Fiquei puto. Muito puto. Nem me refrescar eu consigo. Saí da piscina irritado e começa a bater um vento fortíssimo. Fui ao encontro da minha mãe e me dei conta que não trouxe toalha! “Ótimo!”, exclamei. Fiquei sentado na cadeira absorvendo o vento gelado que me fez quase ter uma hipotermia enquanto minha mãe, bem feliz, diz que o ventinho está “super-agradável”. 16h e nada de chances de ir embora. Meu irmão diz que vai jogar futebol e minha mãe anuncia a dead line: “Às 17h nõs vamos. Tu tá irritado ou é impressão minha, Matheus?”. Eu olho, transformo meu rosto e digo: “Não, estou apenas pensando na vida.”. 17h em ponto anuncio o horário e finalmente vamos embora.
Chego em casa, ligo o computador e a porcaria resolve trancar toda hora. Minha mãe entra no quarto e manda eu me arrumar. Sim, eu esqueci completamente que era o aniversário da minha tia. Peguei o travesseiro e bati com ele na cama, pra amenizar a irritação. Arrumei tudo e fui pro aniversário. Que coisa bem boa! Toda parentada, gente que minha vó me apresenta e que não vão adicionar nada na minha vida, gente que já me “carregou no colo”, idosos, isentos, crianças chatas e outras coisas do gênero. Agora, nesse exato momento, o povo tá todo lá embaixo, falando da novela das oito ou de desgraças da vida, competindo pra ver quem tem mais tragédia em seu repertório. E eu aqui em cima, tentando me divertir no computador. Depois me perguntam porque eu sou tão irritado. People see what they want to see, nobody knows what I really am.