
“Todo mundo gosta de brincar de faz-de-conta de vez em quando. É claro, as formas como brincamos varia imensamente. Às vezes, nos dizemos que o trabalho não interferirá na nossa vida familiar. Às vezes, imaginamos que certas relações significam mais do que na realidade. Ocasionalmente, damos um show, como se quiséssemos nos convencer, de que nossos segredos, na verdade não são tão terríveis. É, o jogo do faz-de-conta é uma brincadeira simples. Você começa a mentir para si mesmo, e se conseguir fazer que os outros acreditem nessas mentiras,você vence.”
Oscar, Oscar, Oscar. Mas não vim aqui falar sobre ele. Abaixo, uma analogia do Oscar no cotidiano. Muito interessante…
“Por todos os cantos, em todas as ruas, nas telas vivas do mundo inteiro, os trailers pipocam com som, imagem e movimento, criando expectativas nos mais variados públicos. E há de tudo: drama, comédia, romance, aventura, terror… O chefe acena a sua nova contratada com uma carreira brilhante. A professora demonstra à mãe que seu filho nunca vai conseguir ser alguém. A sogra diz para a nora que ela jamais dará uma boa mulher. O noivo jura a sua amada que, sob hipótese alguma, a deixará por outra. O tio afirma à sobrinha que, ao tirar notas boas, ela ganhará uma bicicleta. As amigas dão-se as mãos em um pacto de lealdade eterna.
Deve ser por causa desse tipo de trailer que, vez por outra, a gente quase concorre ao Oscar de melhor ator ou atriz. Não podemos decepcionar os espectadores, afinal. Vai dizer: quantas vezes você não interpretou uma personagem na vida? Quantas vezes não fez o papel da obediente ou da rebelde, do exemplar ou do desligado, do conquistador ou do severo, da inocente ou da culpada, do apaixonado ou do calculista quando, por trás das “câmeras”, era justamente o contrário? E não estou julgando ninguém por isso. Eu entendo que essa veia artística que nos habita pode ser um jeito de ser fiel à trama. Ou de melhorar a história. Ou de não queimar o filme que está em cartaz no momento.
Por falar no filme, você há de concordar que ele nem sempre corresponde ao trailer. Aliás, muitas vezes não chega nem perto do aperitivo apresentado antes da estréia. E se é assim em Hollywood, imagine no escurinho da nossa mente. O trailer que a gente mesmo cria, assim como aquele a que a gente assiste no cinema, é sempre uma montagem que se serve só das melhores cenas, as mais tocantes, as mais emocionantes, as mais bonitas. Já o filme propriamente dito, bem, esse precisa de muito mais esforço para ser considerado razoável pela crítica. Que dirá para ganhar uma estatueta.
Dá até para dizer que o trailer é como uma sinopse de conto, enquanto o longa está para um romance completo. Mais do que isso: o filme nosso de cada dia é o livro inteiro que saiu da imaginação do autor e virou uma superprodução. Ele também tem cenários e fotografia, tem atores coadjuvantes que influenciam diretamente a trama, tem edição de som e imagem que aumenta a dramaticidade, tem maquiagem e figurino que ajudam a contar a história, tem direção de arte e efeitos especiais. Tudo isso, no entanto, não seria nada sem um bom roteiro, não importa se original ou adaptado. O problema é que às vezes parece que os nossos roteiristas estão de má vontade. Isso quando não entram em greve.”














