Arquivo de Fevereiro, 2008

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and the oscar goes to…

Fevereiro 24, 2008

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“Todo mundo gosta de brincar de faz-de-conta de vez em quando. É claro, as formas como brincamos varia imensamente. Às vezes, nos dizemos que o trabalho não interferirá na nossa vida familiar. Às vezes, imaginamos que certas relações significam mais do que na realidade. Ocasionalmente, damos um show, como se quiséssemos nos convencer, de que nossos segredos, na verdade não são tão terríveis. É, o jogo do faz-de-conta é uma brincadeira simples. Você começa a mentir para si mesmo, e se conseguir fazer que os outros acreditem nessas mentiras,você vence.”

Oscar, Oscar, Oscar. Mas não vim aqui falar sobre ele. Abaixo, uma analogia do Oscar no cotidiano. Muito interessante…

“Por todos os cantos, em todas as ruas, nas telas vivas do mundo inteiro, os trailers pipocam com som, imagem e movimento, criando expectativas nos mais variados públicos. E há de tudo: drama, comédia, romance, aventura, terror… O chefe acena a sua nova contratada com uma carreira brilhante. A professora demonstra à mãe que seu filho nunca vai conseguir ser alguém. A sogra diz para a nora que ela jamais dará uma boa mulher. O noivo jura a sua amada que, sob hipótese alguma, a deixará por outra. O tio afirma à sobrinha que, ao tirar notas boas, ela ganhará uma bicicleta. As amigas dão-se as mãos em um pacto de lealdade eterna.

Deve ser por causa desse tipo de trailer que, vez por outra, a gente quase concorre ao Oscar de melhor ator ou atriz. Não podemos decepcionar os espectadores, afinal. Vai dizer: quantas vezes você não interpretou uma personagem na vida? Quantas vezes não fez o papel da obediente ou da rebelde, do exemplar ou do desligado, do conquistador ou do severo, da inocente ou da culpada, do apaixonado ou do calculista quando, por trás das “câmeras”, era justamente o contrário? E não estou julgando ninguém por isso. Eu entendo que essa veia artística que nos habita pode ser um jeito de ser fiel à trama. Ou de melhorar a história. Ou de não queimar o filme que está em cartaz no momento.

Por falar no filme, você há de concordar que ele nem sempre corresponde ao trailer. Aliás, muitas vezes não chega nem perto do aperitivo apresentado antes da estréia. E se é assim em Hollywood, imagine no escurinho da nossa mente. O trailer que a gente mesmo cria, assim como aquele a que a gente assiste no cinema, é sempre uma montagem que se serve só das melhores cenas, as mais tocantes, as mais emocionantes, as mais bonitas. Já o filme propriamente dito, bem, esse precisa de muito mais esforço para ser considerado razoável pela crítica. Que dirá para ganhar uma estatueta.

Dá até para dizer que o trailer é como uma sinopse de conto, enquanto o longa está para um romance completo. Mais do que isso: o filme nosso de cada dia é o livro inteiro que saiu da imaginação do autor e virou uma superprodução. Ele também tem cenários e fotografia, tem atores coadjuvantes que influenciam diretamente a trama, tem edição de som e imagem que aumenta a dramaticidade, tem maquiagem e figurino que ajudam a contar a história, tem direção de arte e efeitos especiais. Tudo isso, no entanto, não seria nada sem um bom roteiro, não importa se original ou adaptado. O problema é que às vezes parece que os nossos roteiristas estão de má vontade. Isso quando não entram em greve.”

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the return of the king.

Fevereiro 20, 2008

“Controle. São extraordinárias as técnicas que as pessoas utilizam para obtê-lo. Algumas contam com a trapaça, enquanto outros partem para a vigarice descarada. Aí tem aquelas que partem para a extorsão. Porque lutamos tanto pelo controle? Porque sabemos que perdê-lo é colocar o nosso destino na mão dos outros. E o que poderia ser mais perigoso do que isso?” 

Depois dos turbulentos meses de Janeiro e fevereiro, retorno à capital e à minha vida de sempre. No entanto, dessa vez algo mudou. Things have changed. A começar pelo visual do blog, que há tempos estava atirado às moscas e sem qualquer inspiração estética. O blog também terá uma quote de algum filme/série em cada post. As outras alterações no retorno são aquelas ditas em um post anterior chamado hotter than pepper sprout. Okay, às vezes eu enxergo além da realidade como uma boa Briony Tallis, mas eu estava certo em praticamente tudo o que fiquei pensando nesse mês de fevereiro onde a minha única diversão era a minha própria mente. Aprendi, nesse mês (que nem foi tão terrível como eu pensei que seria, muito menos comparado ao trágico veraneio do ano passado) que more than ever, we are bound by the secrets we share. Na transparência da solidão, as múltiplas tonalidades da alma são observadas com mais nitidez. Mesmo assim, afasto-me das pessoas e apenas as observo de longe. Não consigo realmente enxergá-las sem um melhor enquadramento. Tudo fica mais interessante, quando observado de uma nova perspectiva. E, a partir de hoje, tentarei ver todos através de um novo enquadramento. Não preciso que me digam nada, não preciso de fofocas, não preciso de nada. Apenas observar. Eu seria, como aquela música do Great Lake Swimmers, a silent film, observando moving pictures. No final das contas, eu olho para a raiz das ações e concluo que eu também seria capaz de cometê-las. Inclusive a pior delas. “Anyone with a brain who looks at you thinks “good for a hot fuck” but, believe me, that’s it.” (desliga o telefone e deixa o ouvinte falando sozinho). Às vezes eu acho a coisa mais perfeita agir como Brenda Chenowith, principalmente em frases como essa. Talvez eu comece a agir como ela. Falando o que dá na telha, o que vem na cabeça.  

Mas voltando ao return of the king… Ao imaginar esse título para o post, fiquei me perguntando: “eu sou rei de quê?” Minha vó diz que eu sou o rei da critica, sempre observando e analisando tudo: “o Matheus é a pessoa mais crítica que eu já conheci, tem que se cuidar com ele.”. Já minha mãe diz que eu sou o rei da introspecção, a criatura mais quieta da face da terra: “não existe adolescente que preze tanto a individualidade e a privacidade como ele.”. Meu padrasto diz que sou o rei dos filmes: “ih, se o Matheus nunca ouviu falar, nem bom é”. E alguns colegas dizem que eu sou o rei da inteligência só porque eu sou uma criança com “altas habilidades”: “Matheus vive fazendo drama, dizendo que vai rodar. Todos os professores gostam dele, ele sempre sabe tudo e é super organizado. Nem de recuperação vai ficar.”. Apesar de tudo isso, não creio ser rei de nada, nem de ninguém. Não sou nem rei de mim mesmo e muito menos somebody’s favorite boy. No sentido afetivo da coisa. Mas, apesar de tudo, ando bastante positivo em relação a tudo. O meu caderninho de amizades com “+” anda muito maior do que o caderninho de amizades com “-“. Pena que alguns dos negativos não estejam nos positivos como eu queria.

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Scenes of a sexual nature.

Fevereiro 13, 2008

Passada uma semana, os cegos malvados mandaram recado de que queriam mulheres. Assim, simplesmente. “Tragam-nos mulheres. Se não nos trouxerem, não receberão a comida”. Essa inesperada exigência causou a indignação que é fácil de imaginar. Um cego disse que não permitiria que sua mulher passasse por tal indecência, que dignidade não tem preço. O médico perguntou-lhe então que sentido de vida ele via naquela situação, em que todos ali se encontravam famintos, cobertos de porcarias até às orelhas, roídos de piolhos, comidos de percevejos e espicaçados de pulgas. (…) A mulher do médico disse: “Vamos, a morte escolhe sem avisar”. Passaram à porta que dava acesso à ala esquerda. No último corredor, a mulher do médico viu um cego de sentinela. “ Já aí vem”, exclamou. De dentro da camarata saíram gritos, relinchos, risadas. Elas se aproximaram e ouviram o que o cego disse: “Vamos meninas, estamos todos aqui como uns cavalos.” Quando entraram, foram apalpadas até que o chefe disse: “Parem, o primeiro a escolher sou eu.”. Aproximou-se da primeira, apalpou-a na frente e atrás, as nádegas, as mamas e o entrepernas. A cega começou a gritar e ele a empurrou. “Não vales nada, puta”. Aproximou-se, então, da mulher do médico, tocou-a e disse: “Essa é das maduras, tem jeito de rica fêmea”. Porém, puxou outras duas para si e gritou: “Fico com estas, depois as despacho para vocês.”. As mulheres, todas elas, já estavam a gritar. Ouviam-se golpes, bofetadas, ordens. “Calem-se, suas putas! Só dando com força para se calarem. Deixem-nas chegar a minha vez e já vão ver como pedem mais”. A mulher do médico estava em um canto, de pé, observando tudo. Viu o chefe dos cegos rasgar a saia da rapariga de óculos, descendo as calças e apontado o sexo para o da mulher. Empurrou com força e ouviram-se gemidos, obscenidades, roncos. A rapariga acabou vomitando, e o cego a largou, saindo com o genital ainda pingando. “Podem pegar essa, mas tratem-na com carinho, pois ainda vou voltar para acabar com ela”, avisou aos outros. Ele pegou o braço da mulher do médico e disse: “Vem, vou tratar de ti, agora”. Ele ajoelhou-se na cama e disse para ela: “Ajoelha-te aqui entre as minhas pernas”. Ela obedeceu.
- Agora chupa. – mandou ele.
- Não. – disse ela.
- Ou chupa, ou bato-te e não levas comida.
- Não tens medo de que eu te arranque com dentadas?
- Podes experimentar. Tenho a mão no teu pescoço. Estrangulo-te antes que venhas a ver meu sangue… Estou a reconhecer a tua voz.
- E eu a tua cara.
- És cega, não podes me ver. Chupa e deixa de conversa.
A mulher do médico inclinou-se. Com a ponta dos dedos segurou o sexo pegajoso e flácido do homem. Apoiou a mão esquerda no chão e sentiu a pistola que ele guardava nas calças. “Posso matá-lo”, pensou. Não podia, pois viu que era impossível pegar a arma sem que ele notasse. Avançou a cabeça, abriu a boca, fechou-a, fechou os olhos para não ver. Começou a chupar. Depois disso, voltou à camarata e pegou a tesoura que estava dependurada no prego da parede. Devagar, aproximou-se da cama do chefe que havia chupado e rodeou-a. Observou como o gozo o fazia inclinar a cabeça, como se já estivesse a lhe oferecer o pescoço. A mão dela levantou-se sutilmente, a tesoura estava com as lâminas separadas, para poderem penetrar como dois punhais. Desceu violentamente a tesoura, enterrando com toda força na garganta do cego. Girando sobre si mesma, lutou contra as cartilagens e os tecidos, depois continuou a furar furiosamente até ser detida pelas vértebras cerebrais. A mulher que o chupava gritou. (…) A mulher do médico guiou todas as mulheres, desferindo golpes à esquerda e à direita com a tesoura contra os cegos. “Provavelmente essa não vai sobreviver”, pensou, quando cravou a tesoura no peito de um deles. Ela não queria matar, só queria sair dali o mais depressa possível. O cego da contabilidade notou o que ocorria e gritou “DEPRESSA! AGARREM-NAS! NÃO DEIXEM QUE ESCAPEM !”. Mas era demasiado tarde. Parada na porta, a mulher do cego gritou com fúria: “LEMBREM-SE DO QUE EU HAVIA DITO, QUE NÃO ME ESQUECERIA DA CARA DELE. E DAQUI EM DIANTE, PENSEM NO QUE VOS DIGO AGORA, QUE TAMBÉM NÃO ESQUECEREI DAS VOSSAS.” O cego da contabilidade disse: “És cega!”. Ela tornou a gritar com fúria: “TALVEZ EU SEJA A MAIS CEGA DE TODAS. JÁ MATEI, E TORNAREI A MATAR SE FOR PRECISO!”. Afastou-se no corredor com as cegas estupradas. Os joelhos dobraram e ela caiu. Os olhos nublaram. “Vou cegar”, pensou. Ainda não foi desta vez. Eram apenas lágrimas. Lágrimas como nunca havia chorado em toda sua vida. O corredor agora estava deserto, todos haviam ido embora, estava apenas acompanhada de cadáveres no chão. As lágrimas continuavam a correr. Levantou-se a custo. Tinha sangue nas mãos e na roupa, e subitamente o corpo exausto a avisou de que estava velha. “Velha e assassina.”, pensou. Continuava sozinha.

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hotter than pepper sprout.

Fevereiro 6, 2008

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“This is the story of us all. This is the soldier and his gun. This is the war that’s never won.”

O verão sempre me dá efeitos colaterais. Nesse extao momento sofro com queimaduras do sol, cortes no pé e arranhões no joelho. Além de eu estar num estado deplorável, hotter than pepper sprout. Mas se existe uma coisa que eu posso tirar de positivo de viagens como essa é a reflexão que faço da minha vida e de todas as pessoas que estão nela. Depois de alguns dias sofrendo por causa de algumas pessoas que eu confiava bastante, chego a conclusão que elas não merecem a minha atenção. Na realidade, algumas chegam ser até mesmo decepcionantes pela maneira que lidam com o destino. 2008 vai ser o ano da mudança, da revolução. Meu afeto por alguns diminuem horrores e por outros aumenta gradualmente. Alguns nem vão notar e nem se importar. And I don’t give a damn. Mas minha maior satisfação vai ser ver a reação daqueles que notarão isso. Eu estou cansado de perder, de ser trocado, de sempre sair em saldo negativo, de sempre ser uma pessoa substituta e de nunca alcançar meus objetivos. Eu vou mudar. I want to play a game.

é indo para longe que descobrimos se estamos perto.