Arquivo de Maio, 2008

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see through.

Maio 22, 2008

Você não acredita que existem monstros nesse mundo? Você não acredita que as pessoas podem ser más? Pela primeira vez na minha vida eu encontro alguém que enxerga o que existe sob a minha máscara e não tenta fugir. Alguém que faz eu me sentir bem em relação ao que sou… Alguém que faz eu me sentir seguro.”

Dupla personalidade. Todo mundo tem. Mas não no sentido médico-literal da coisa. Todos escondem quem são pelo menos por parte do tempo. Não existem absolutos – pessoas totalmente boas ou más. Mas às vezes, enterramos certas partes de nós mesmos tão fundo, que precisamos ser lembrados de que elas ainda existem… Quando na verdade, só queremos esquecê-las. Vivemos em um mundo cinematográfico, onde nós somos os protagonistas e somos cercados de coadjuvantes. Para manter o ritmo de nosso roteiro, são necessárias algumas boas atuações. E é exatamente aqui que surge a nossa segunda personalidade. Ninguém pode enxergar quem eu sou de verdade. Até porque não confio totalmente em ninguém, porque qualquer um é capaz de qualquer coisa. Por mais que certas pessoas saibam inúmeras coisas a meu respeito enquanto outras não sabem absolutamente nada, existe uma certa parte que todos desconhecem. A parte que só eu conheço. Alguns podem dizer que isso é algo meio doentio, essa história de ter segredos só pra você, coisas obscuras, manias estranhas, pensamentos incontroláveis. Eu discordo. Como diz a Brenda: “O que seria da vida se não existissem segredos? Acho bobagem essa afirmação de que só existe felicidade com a verdade. Acho que todos devem ter segredos, uma coisa íntima, algo intocável. Às vezes, a verdade simplesmente não é o melhor caminho.”  Não costumo compartilhar meus problemas com ninguém. Sigilo. Independência. Sempre consigo ver os problemas dos outros mais claramente que os meus.

Claro que não existem prêmios para nossas atuações, a não ser na nossa cabeça. O que resta é aproveitarmos o que podemos desses nossos momentos dignos de um Oscar. Claro que não podemos nos esquecer daquelas pobres almas que merecem é um Framboesa de Ouro. Acho que essa situação de atuações vêm da necessidade da falta de confiança que temos. Talvez seja porque sabemos como as coisas podem dar errado, como elas podem se tornar repentinamente impossíveis, intratáveis, um exercício de futilidade. Então partimos para a atuação, para a angústia, para o medo, para a agressão. Que estão sempre prontamente disponíveis. Os nossos roteiros nunca funcionam como nós queremos, isso é fato. Isso quando os roteiristas não estão de greve. Não somos roteiristas de nossas vidas, that’s all. Life is what makes things happen. O pior é quando o nosso próprio filme não corresponde ao trailer… Então, nesse mundo cheio de tramas e complicações narrativas, sermos atores é o único modo de sobrevivência. É a profissão de todos nós, e isso não é um exagero. E não estou julgando ninguém por isso, muito pelo contrário! Apóio completamente.Eu entendo que essa veia artística que nos habita pode ser um jeito de ser fiel à trama. Ou de melhorar a história. Ou de não queimar o filme que está em cartaz no momento. A cada dia nos tornamos mais especialistas nesse emprego. Alguns se conformam com essa situação, outros não. Sinceramente eu não tenho a mínima idéia de porque eu estou falando sobre isso. Assisti a um capítulo de Dexter que me motivou a pensar nesse assunto. Não fatos da minha vida. In fact, os personagens da minha trama são muito mais interessantes que o próprio roteiro da minha vida. Talvez eu precise dar uma mão ao meu roteirista, nos dias que vão se suceder.

Falando em atuação, fui ao cinema rever o ótimo desempenho da Julie Christie no filme Away From Her. Na realidade nunca fui em uma sessão tão deprimente em toda a minha vida. Primeiro que o filme é uma tristeza sem fim e segundo porque toda a geriatria de Porto Alegre estava lá. Eu me senti um completo velho, como se eu estivesse também em fim de vida. Sem falar que deu algum problema e só foram abrir a sala um minuto antes da sessão. Sala, aliás, que é a menor que já estive naquele cinema. Enfim, enfim. Em janeiro eu tinha visto o Away From Her e apreciado bastante o resultado, já que filmes de idosos sempre me comovem. Principalmente quando tem o mal de Alzheimer no meio, por motivos puramente pessoais. Só que no filme tem uma história de amor anexada à doença. A história discursa sobre isso - amor. Sobre como ele pode sobrevir através dos anos, através dos acontecimentos da vida. Sim, ele pode machucar, ele pode decepcionar, ele pode magoar. Mas ele permanece, independente de qualquer coisa, se essa for a decisão da pessoa. Pode parecer idiota, eu sei, mas por mais que essas afirmações clichês estejam presentes no filme, eu fui emocionado por elas. Os sentimentos são as únicas coisas que ninguém pode tirar da gente. Ficamos com eles lacrados em nossos corações. Não precisamos demonstrá-los ou revelá-los, porque na maioria do tempo, tê-los já é o suficiente. Hoje em dia todos gostam de espetáculos, lágrimas e grandes interpretações. Eu prefiro manter os meus sentimentos para mim mesmo. As pessoas também querem ser amadas o tempo inteiro. Quanta exigência! Elas não sabem que certas coisas são o suficiente. E eu, em alguns momentos, sei… apesar de não parecer. Eu sei me contentar com algumas coisas. “Wouldn’t be nice if we got married?”

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come so far.

Maio 19, 2008

O cinema de 2008 – o que passou e o que vem por aí.

Em janeiro, Juno já andava mostrando as caras nos cinemas em constantes pré-estréias, enquanto muita gente só veio a ter conhecimento dessa comédia independente em janeiro. Tive a oportunidade de conferir o filme na pré-estréia, e saí até que bem satisfeito da sessão. Mas a adoração pelo filme começou a crescer sem precedentes. E como eu sempre tendo a discordar com a grande massa de unânimidades, comecei a criar certo desafeto pelo longa. Sem falar que quem deveria ter tido todo esse sucesso era Little Miss Sunshine. O tiro saiu pela culatra em O Caçador de Pipas, que além de ser criticado por seu jeito certinho demais de ter adaptado a obra de Khaled Hosseini, não alcançou o esperado sucesso nas bilheterias e só abocanhou uma mísera indicação ao Oscar de trilha sonora. Apesar de ser um bom filme, acabou mesmo sendo linear demais. Quem também levou um tremendo tiro no pé foi O Suspeito, e com todos os méritos. O injutiçado A Lenda do Tesouro Perdido teve sua continuação com A Lenda do Tesouro Perdido 2 – Livro dos Segredos, que dessa vez teve grande êxito financeiro mas mesmo assim foi bombardeado. Novamente o excesso de criticismo destruiu um filme descompromissado e ingênuo. O melhor trabalho do ano chegou logo no início do semestre – Desejo e Reparação impressionou com seu apurado lado técnico e com seus momentos inesquecíveis. Meu Nome Não é Johnny e P.S. Eu Te Amo passaram despercebidos, até que merecidamente, pois não passam de produções banais.

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet trouxe mais uma excelente parceria entre os geniais Tim Burton e Johnny Depp. Infelizmente não teve o reconhecimento que merecia. Garanto que se fosse Piratas do Caribe, todo mundo corria pra ver… Os irmãoes Joel e Ethan Coen trouxeram Onde Os Fracos Não Têm Vez, contundente produção que impressiona por seu lado maduro e principalmente pelo estupendo Javier Bardem, em interpretação simplesmente memorável. O diretor Paul Thomas Anderson mais uma vez foi preterido com seu Sangue Negro, mas Daniel Day-Lewis não deixou o filme no completo esquecimento – uma vez que ele trouxe o melhor desempenho masculino da década. Criticado pela sua obviedade (algo que discordo, já que foram raros os que acertaram as categorias de figurino, efeitos, atriz coadjuvante, atriz e montagem), o Oscar apresentou a melhor festa dos últimos tempos, com doses de grandes justiças (Cotillard, Bardem, Swinton e Day-Lewis) e momentos especiais.

Morgan Freeman e Jack Nicholson foram os grandes atrativos de Antes de Partir, simpática mas enganadora produção que não apresentou o que poderia ter feito com o seu potencial. Jodie Foster veio direto para dvd com sua boa interpretação no irregular Valente, outra produção que aparentava ter potencial para muito e mostrou pouco. As múltiplas faces de Bob Dylan foram mostradas de uma forma um pouco decepcionante em Não Estou Lá, mas que o elenco conseguiu consertar, especialmente Cate Blanchett.  Enquanto isso, o cinema indepente alcançou outro momento memorável com o ótimo A Família Savage – filme cru, denso e incrivelmente dramático, trazendo a melhor interpretação feminina do ano – Laura Linney (também no melhor trabalho de toda a sua carreira). Na Natureza Selvagem confirmou Emile Hirsch como um dos atores mais talentosos de sua geração, no seu visível empenho no filme.

A pior produção até agora acaba sendo Speed Racer, adaptação completamente histérica, exagerada e superficial do desenho animado. Funciona muito bem como video game. Mas estamos falando de cinema. A atriz Sarah Polley entrega seu primeiro trabalho atrás das câmeras com o sensível Longe Dela, que trata um tema batido (mal de Alzheimer) de forma muito culta, subjetiva e humana. O cinema “bobinho” teve sua vez com Três Vezes Amor, que decepcionou horrores e só valeu pelo seu bom elenco.

As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian retoma o encantandor mundo de O Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupa no final desse mês. Em junho, o quarteto feminino mais querido e adorado da televisão vai matar a saudade de seus fãs em Sex And The City – O Filme, que também conta com a partipação da Oscarizada dreamgirl Jennifer Hudson. Ainda em Junho, o polêmico diretor M. Night Shyamalan vem com Fim dos Tempos. Resta saber se ele ainda vai continuar atraindo injustamente o ódio dos cinéfilos ou reverter essa situação. Temos também O Incrível Hulk, da qual passo longe. Em Julho chega o blockbuster mais esperado do ano: Batman – O Cavaleiro das Trevas, que parece ser a melhor adaptação de quadrinhos desde Homem-Aranha 2, sem falar de Heath Ledger como Coringa.

Mais adiante, em agosto, um musical volta a atacar as salas de cinema. Mamma Mia! promete divertir com suas divertidas canções e seu ótimo elenco. Globo de Ouro de Atriz Comédia/Musical para Meryl à vista? Hellboy 2 vai comer poeira com a chegada de Cegueira em setembro. Já com todo o falatório do festival de Cannes, o filme de Fernando Meirelles promete um grande desempenho de Julianne Moore, já cotadíssima para o próximo Oscar. Sem falar da incrível fotografia. Para fechar o ano em grande estilo, temos o retorno de dois grandes personagens das bilheterias. O primeiro é James Bond com Quantum Of Solace, o segundo é Harry Potter e o Enigma do Príncipe. No Natal, Nicole Kidman e Baz Lührmann vão tentar repetir a incrível parceria de Moulin Rouge! com o épico Australia.

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come and go.

Maio 18, 2008

“What happened to us? We liked each other so much… Where did we lose that?”

É estranho ver como certas relações se alteram através do tempo. Estranho e muito curioso. Algumas delas vão ficando cada vez mais superficiais até quase desaparecerem por completo. Esse é o tipo mais triste de todos. Depois temos aquelas simples pessoas de nosso cotidiano que nunca imaginávamos que seriam de fundamental importância to face the hours. E essas são as que tocam lá fundo, provando que não existe vida sem companhias como essas. Ao escrever o meu novo livro (é, desisti daquela porcaria que eu comecei a escrever meses atrás, que era uma história com narrativa fragmentada que alternava momentos do passado e do futuro), comecei a enxergar tudo em uma melhor perspectiva. Como é uma história de ficção mas com uma essência totalmente autobiográfica, meio que fiz uma seleção de quem eu incluiria na história – ou seja, aqueles que de uma forma ou de outra, tiveram uma significativa participação em minha história.

Lendo isso, pode parecer algo fácil e ligeiro, mas não é bem assim. Não importa se as pessoas causaram infelicidades, decepções ou alegrias. Selecioná-las não é tarefa simples. Depois disso, além de escolhê-las, é necessário transportá-las para essa história de ficção e inseri-las no meio. E assim vai se formando essa minha obra estranha e que eu não sei onde vai dar. De fato já escrevi quatro páginas que me animaram bastante. Elas ficaram muito melhores que todo o meu rascunho de vinte páginas de meses atrás. Caso algum dia eu venha a mostrar isso para o meu “público”, certamente cada um vai se enxergar claramente na trama. Até porque vários fatos reais vão estar inseridos. O que será modificado é o destino de cada um. É como que se eu tivesse que “prever” o meu futuro com cada ser.

Na realidade eu nem preciso dizer quem vai estar presente na “obra”, cada pessoa sabe a importância que tem em minha vida. Até mesmo com algumas eu tenho deixado isso claramente, em momentos noturnos sentimentalistas. Devo confessar que não é o momento mais oportuno para eu estar me dedicando a uma escrita que, racionalmente falando, não vai me beneficiar em nada em tempos de vestibular. Mas e daí? Do what you love and fuck the rest. Eu só fico andando em círculos nesses meus posts. Sempre a mesma coisa e acho que nunca digo nada de muito consistente, mas fazer o quê. Nos últimos tempos os fatos não são interessantes e a imaginação de possibilidades que mudariam o cotidiano são bem mais prazerosas. Enquanto os fatos não cativam, as pessoas ao menos tendem a estimularem. Algumas muito, outras pouco. All people do is come and go.

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Pain.

Maio 7, 2008

Por trás da burocracia das palavras do psicólogo, existe muita verdade dita. E, como diz a música de fundo: there’s a light…

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far far away.

Maio 4, 2008

Sometimes, the distance between two people is the greatest journey of all”.

Tem gente reclamando que eu não posto aqui no blog faz bastante tempo. Isso me deixa feliz, porque é nesses momentos que eu chego a conclusão que o que escrevo aqui não é tão desprezível e inútil como imagino. A desculpa para justificar a minha ausência é bem convencional – confesso que depois que abri o fotolog me desanimei de escrever aqui. De certo é porque seria uma grande repetição de narrações, reclamações e filosofias baratas. Mas como o público é sempre quem manda, prometo que vou postar mais assiduamente.

Ultimamente tenho tido uma sensação de liberdade. As coisas já não são tão controladas e finalmente parece que estão deixando eu evoluir um pouco na vida. Isso não é o que melhora a minha vida necessariamente. “I want intimacy!” como diria minha adorada Ruth Fisher. Mas não aquela baboseira amorosa e sentimental (que é até bem interessante, mas não é o que preenche completamente as lacunas). Algo tipo “feeling something real”. Faz séculos que eu já não sinto mais como antes. Eu já não adoro as coisas com a mesma intensidade, não sinto tanta saudade como deveria e até mesmo não odeio as coisas com o mesmo prazer. Por que? Sei lá! Se pudéssemos explicar a razão de nossos sentimentos e de nossas atitudes, a vida não teria a menor graça.

A rotina, como sempre, é chata. Mesmo que eu tenha conhecido dúzias de pessoas novas e até iniciado interações com aquelas que eu conheço de vista há tempos mas nunca tinha tido a oportunidade de conversar (até porque como todo mundo sabe, eu sou alguém bem anti-social), ainda falta aquela que faria todo o diferencial. De forma alguma eu estou menosprezando aquelas pessoas importantes para mim e que sempre estão ao meu lado (e elas sabem muito bem quem são), mas eu acho que não convivo o quanto eu queria com elas. Simplesmente porque não posso ou porque algumas somem completamente do mapa. And it hurts. Falta aquela pessoa perfect, um irmão gêmeo em todos os aspectos. Presente perto de mim, digo. É, esse é o lado depressivo do Matheus que alguns tendem a ignorar (e desgostar). O clima “A Família Savage” reinou nesse fim de semana. Um frio danado, chuva constante e tudo nebuloso. Em todos os aspectos – abstratos e concretos.

Como sempre esse texto acaba sendo mais uma variação de tantos outros que eu já postei por aqui. Mas como as minhas sensações são sempre praticamente as mesmas, vejo-me meio que obrigado a repeti-las aqui. Então eu coloco Fera Ferida ou outras músicas bregas-mas-que-adoro para tocar e começo a datilografar (adoro essa palavra) essas palavras aqui. Ainda assim vejo essas “coisas” escritas como pointless. Mas quem disse que as coisas precisam ter sentido para terem graça? Mas… there is a light.