Arquivo de Novembro, 2008

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da literatura… (II)

Novembro 17, 2008

“Nós ficamos ali na cozinha, balançando para frente e para trás em silêncio por alguns momentos.  Ela começou a chorar mais forte. Com soluços altos e sentidos. Fui até ela e a abrecei carinhosamente. Sheba anda tão magra ultimamente que dá a impressão de que vai quebrar. “Vamos, está tudo bem. Você vai ficar bem, minha querida. Barbara está aqui”, eu disse. Ela soltou o corpo, como se estivesse se rendendo. Depois eu a fiz sentar e preparei um almoço para nós. Uma comida aconchegante para um dia cinzento. A chuva tinha passado e ela quis sair para dar uma volta. Eu a deixei ir sozinha. Creio que vai ficar bem sozinha. E agora já sabe que não deve ir muito longe sem mim.”

Anotações Sobre Um Escândalo“, de Zoë Heller.

ps: e o filme com aquele final desnecessário de to be continued…

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distant past.

Novembro 14, 2008

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“You once said you’re not everyone. Well, that’s true – you’re certainly not everyone, but everyone is everyone. Find the joy in your life, Edward. My dear friend, close your eyes and let the waters take you home.”

De vez em quando eu digo que sou alguém completamente anti-social. E, na maioria das vezes, quem ouve isso de mim começa a me xingar dizendo que eu estou falando uma mentira. Mas isso é verdade. Queiram as pessoas acreditar ou não. A maior prova disso é quando eu saio de casa. Essa semana eu tava voltando do “inglês” (é, entre aspas, porque se divide em dois tipos: “inglês” e inglês puramente dito) e logo quando eu dobrei na esquina da minha casa vejo na minha frente uma figura do meu passado. Como eu sempre tenho ótimo radar para identificar semi-conhecidos antes mesmo de eles me verem, atravessei para o outro lado da rua. Normalmente eu fico nervoso quando enxergo esse tipo de gente, mas dessa vez eu fiquei assustado. Fiquei atônito ao constatar que as pessoas podem mesmo mudar através do tempo. E dessa vez não foi nem no jeito de ser nem nada (afinal, eu já não me surpreendo mais com pessoas se transformando em completos debilóides, coisa que não eram anteriormente), foi fisicamente mesmo. É muito difícil eu debochar do físico das pessoas – até porque um palito desengonçado como eu não pode falar muito – mas um legítimo Shrek se materializou na minha frente. Com os dedos de salsicha e tudo, como diria a fada madrinha do desenho. Sou da doutrina de que o passado não deve ser acordado. What’s dead is dead, como entoaria Sweeney Todd. Chega uma fase da vida em que, pra mim, só são considerado vivos e de grande importância aqueles que permaneceram sempre conosco até o atual momento. Não tenho tendências a recuperar relações que não foram foram em frente – até porque isso já foi tentado e não deu certo.  I don’t care at all. Não gosto de ficar encontrando pessoas que eu nunca mais vi na vida e que de repente começam a te cumprimentar como se uma grande amizade ainda existe. É isso mesmo, detesto reviver o passado. E, so far, não existem exceções. Não que eu saiba. E que decepção o Quantum Of Solace, hein? Nem a música presta ¬¬

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da literatura…

Novembro 10, 2008

“Abre-me The End Of The Affair do Graham Greene e lê-me aquela passagem que os dois amantes se afastam depois de mais um encontro… Maurice larga a mão de Sarah e caminha para longe, sem virar a cabeça. Mas Sarah tosse, e para combater confortar o som cavo dessa tosse repetida ele tenta imaginar uma melodia para assobiar, mas não consegue. I have no ear for music, pensa Maurice. E penso eu agora, à beira das lágrimas que rodam por ti no gira-discos-compactos. People can love without seeing each other, Sarah diz. Podemos amar no escuro, sim. Podemos amor na luz da sonâmbula ausência. Podemos tanto que inventamos Deus.”

Fazes-me Falta“, de Inês Pedrosa

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unable to stay, unwilling to leave.

Novembro 3, 2008

“It was the ship of dreams to everyone else. To me it was a slave ship, taking me back to America in chains. Outwardly, I was everything a well brought up girl should be. Inside, I was screaming.”

Pouco me importa o Gil Vicente com seu Auto da Barca do Inferno. Ele que vá pro inferno.

Pouco me importa se o Briott-Ruffini tem um dispositivo.

Não me interesso pelos pampas do Rio Grande do Sul e muito menos pelas caatingas do Brasil.

Não me interesso pela energia interna de uma transferência de calor.

Já não aguento mais os modal verbs. “May” para strong possibility.

Já não aguento mais o Brasil república e seus presidentes imbecis.

Cansei dos problemas de paralelismo presentes nas redações de quem não sabe escrever.

Cansei das glândulas bulbo-uretrais que saem pelo canal ejaculador e do folículo ovariano da vagina.

Não dou a mínima para homônimos e parônimos.

Não dou a mínima para as reações de metais com ácidos diluídos.

Tanta coisa inútil. Tanta coisa inútil que recebe importância demais.

E, ao contrário de todo mundo, eu clamo: “chega logo vestibular!”. Quero logo me livrar disso.