Arquivo de Janeiro, 2009

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I had a dream.

Janeiro 30, 2009

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Se o olhar cobiçoso era tão ruim quanto a libertação da cobiça e o fantasiar ativo tão tão ruim quanto o ato fantasiado, por que não a libertação e o ato?”

Acho que ter um blog é muito mais do que escrever algumas idéias em um editor de textos e publicar na internet. Depois que se tem um endereço online por um certo tempo, começa a se construir um arquivo. E nesse arquivo podemos observar tudo aquilo que um dia fomos e – consequentemente – pensamos. Afinal, somos aquilo que pensamos. Ontem á noite, comecei a vasculhar meus textos aqui do blog e comecei a montar um retrato de mim mesmo. Do que se modificou, do que permaneceu, do que deve ainda ser mudado.

Nessa noite de 29 de janeiro começo a sentir saudade de The Hours e de Six Feet Under, o que não é um bom sinal. São obras-primas do cinema e da televisão, mas que tem significado muito maior pra mim do que mero entretenimento. Fazem parte da minha vida, pois me marcaram bastante. Portanto, sentir falta de The Hours e de Six Feet Under é me sentir estranho, diferente. É ouvir Philip Glass e sentir aquele piano melacólico dele querendo dizer alguma coisa que não sei bem dizer o que é. É ouvir cada faixa olhando para o nada. É pensar em nada e apreciar a música. É ser um pouquinho Clarissa Vaughan, always giving parties to cover the silence.

É especialmente no mês de fevereiro que as coisas se complicam. Acho que pelo fato de que todo mundo some, em todos os sentidos. A realidade é que eu já nem me importo mais. Não tanto quanto antes. Já se foi o tempo em que eu me importava com complexidade de relações, com importância de determinadas figuras da minha vida. Tudo flui como deve fluir. E sempre aqueles que permanecem fixos é que são os importantes. Não vou mais na onda do coming and going. De vez em quando uma lista como a de Beatrix Kiddo é necessária. Just because it is, doesn’t mean it should be.

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da literatura… (IV)

Janeiro 14, 2009

Volta até a sala, onde está Laura Brown. Laura sorri palidamente para Clarissa – quem há de saber o que ela pensa ou sente? Ela, a mulher de iras e dores, a mulher patética, de charme deslumbrante; apaixonada pela morte; vítima e torturadora que assombrou toda a obra de Richard. Ela está aqui bem nesta sala, a amada; a traidora. Uma senhora idosa, bibliotecária aposentada de Toronto, usando sapatos de velha. E eis aqui a própria Clarissa, não mais Mrs. Dalloway; não há ninguém mais para chamá-la assim. Aqui está ela, com mais uma hora pela frente.

As Horas“, de Michael Cunnigham

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um olhar menos técnico das premiações da temporada ou simplesmente sem o vocabulário culto de um crítico amador.

Janeiro 11, 2009

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I will do what needs to be done! You should understand that, or you will mistake me.”

E primeiro é preciso ser levado em consideração que não vi quase nada dos filmes que estou falando! É puramente a minha impressão sem fundamentos sobre cada um dos tópicos.

  1. Anne Hathaway: Sinceramente não simpatizo muito com a campanha para a vitória dela. Acho que ela é simpática e tudo mais, mas ainda acho que é cedo para um Oscar. Os votantes podem até gostar dessas atrizes jovens, mas vamos pensar duas vezes antes de consagrar uma né. Ou já se esqueceram do prêmio mais que injusto de Reese Witherspoon?
  2. Batman – O Cavaleiro das Trevas: O filme é ótimo, o mais maduro já feito do mundo dos quadrinhos. Eu só não elevo o filme às alturas. E nem acho que o filme conseguirá chegar nas categorias principais. Os votantes ainda são conservadores, apesar de dizerem que ficaram mais “cabeça aberta”.
  3. Meryl Streep: Tá certo, o Oscar não deve nada pra ela. Mas é a única premiação que parece ter “desistido dela”. Lá se vão mais de 20 anos que ela subiu ao palco. Uma estrela dessas, que tem discursos espetaculares, que se renova a cada momento e que constantemente apresenta trabalhos brilhantes merece ser consagrada novamente pelo maior prêmio do cinema.
  4. Heath Ledger: Não adianta. Ele vence, ponto final. E merecidamente.
  5. Kate Winslet: Eu realmente não sei o que vai ser dela. Se viesse com apenas um filme, venceria certamente. Mas inventou de vir com dois. Dificil saber se ela sequer vai vencer alguma categoria. Lembra da pobre da Julianne Moore? Mas já tá na hora de Winslet vencer, porque se não ela vai ser uma das maiores losers da história.
  6. WALL-E: Nunca um desenho ficou tão perto da categoria de melhor filme depois de A Bela e a Fera. E eu aposto que ele chega lá!
  7. Penélope Cruz: E não é que eu quero que ela vença? Perfeita em Vicky Cristina Barcelona.
  8. Julianne Moore: Coitada, merecia reconhecimento por Ensaio Sobre a Cegueira! Merecia mesmo…
  9. Sean Penn: Ganhar de novo? Não creio.
  10. O Curioso Caso de Benjamin Button: Não sei não, hein…
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meryl streep vision.

Janeiro 7, 2009

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A beleza é uma puta, eu prefiro o dinheiro.”

Meryl Streep disse “Obama will make mistakes” e todo mundo se apavorou. Não me importa se ela é republicana ou democrata, o que ela disse é verdade. Acreditar que, por Obama ser negro, tudo vai mudar, é uma grande ilusão. Ele foi eleito pra defender os interesses dos Estados Unidos, não do mundo. O país pode até ser dono do mundo, mas a realidade é que eles só importam com eles. E estão certos. Come on, people, é verdade, Obama will make mistakes. Assim como qualquer pessoa comete.

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da literatura… (III)

Janeiro 6, 2009

Era um tímido, e talvez por isso passasse por covarde. Tinha vergonha de falar. Yaqub sabia olhar. Sorria e dava uma risada gostosa no momento certo. Porém, esse encantamento dos olhos deixa expectativas e promessas no ar. Nunca foi tagarela, é o mais silencioso da escola e da casa, reticente ao extremo. O rapaz altivo e circunspecto que não dá bola para ninguém… Dias e noites no quarto, não vai aos bailes, só enfiado na toca. Ninguém entende por que ele renuncia a juventude, o barulho festivo e as serenatas que povoam de som as longas noites. Que noite, que nada! Despreza, altivo em sua solidão, os bailes, as festas, as danças, os campeonatos e os jogos de futebol. Tranca-se no quarto, o egoísta radical, e vive o mundo dele, e de mais ninguém. Yaqub não revela nada sobre sua vida. Quando lhe perguntam, disfarça. Quando insistem, se torna áspero, quase intratável. Ninguém arranca seus segredos, não sai nada. Ele se retrai, encasula-se no momento certo. Por fora, é realmente outro. Por dentro, um mistério: um ser calado, que nunca pensa em voz alta.

Era a voz de Zana; ela havia seguido os passos de Yaqub e queria mostrar-lhe o lençol e as frunhas em que bordara o nome dele. Desde que soubera de sua volta, Zana repetia todos os dias: “Meu menino vai dormir com as minhas letras, com a minha caligrafia.” Ela dizia isso na presença do Caçula que, enciumado, perguntava: “Quando ele vai chegar? Por que ele ficou tanto tempo no Líbano?” Zana não lhe respondia, talvez porque, também para ela, era inexplicável o fato de Yaqub ter passado tantos anos longe dela.

Dois Irmãos“, de Milton Hatoum.