
“Se o olhar cobiçoso era tão ruim quanto a libertação da cobiça e o fantasiar ativo tão tão ruim quanto o ato fantasiado, por que não a libertação e o ato?”
Acho que ter um blog é muito mais do que escrever algumas idéias em um editor de textos e publicar na internet. Depois que se tem um endereço online por um certo tempo, começa a se construir um arquivo. E nesse arquivo podemos observar tudo aquilo que um dia fomos e – consequentemente – pensamos. Afinal, somos aquilo que pensamos. Ontem á noite, comecei a vasculhar meus textos aqui do blog e comecei a montar um retrato de mim mesmo. Do que se modificou, do que permaneceu, do que deve ainda ser mudado.
Nessa noite de 29 de janeiro começo a sentir saudade de The Hours e de Six Feet Under, o que não é um bom sinal. São obras-primas do cinema e da televisão, mas que tem significado muito maior pra mim do que mero entretenimento. Fazem parte da minha vida, pois me marcaram bastante. Portanto, sentir falta de The Hours e de Six Feet Under é me sentir estranho, diferente. É ouvir Philip Glass e sentir aquele piano melacólico dele querendo dizer alguma coisa que não sei bem dizer o que é. É ouvir cada faixa olhando para o nada. É pensar em nada e apreciar a música. É ser um pouquinho Clarissa Vaughan, always giving parties to cover the silence.
É especialmente no mês de fevereiro que as coisas se complicam. Acho que pelo fato de que todo mundo some, em todos os sentidos. A realidade é que eu já nem me importo mais. Não tanto quanto antes. Já se foi o tempo em que eu me importava com complexidade de relações, com importância de determinadas figuras da minha vida. Tudo flui como deve fluir. E sempre aqueles que permanecem fixos é que são os importantes. Não vou mais na onda do coming and going. De vez em quando uma lista como a de Beatrix Kiddo é necessária. Just because it is, doesn’t mean it should be.















