Arquivo de Abril, 2009

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to lose something you can’t replace.

Abril 20, 2009

Você não deveria estar aqui. Não hoje. Vou levá-lo para casa. Parece tão estranho e cansado. Parece que estamos em um sonho juntos. Por favor, não fique tão triste. Eu me sinto culpado. Estou tão consumido de culpa. É irônico, porque eu me preocupo tanto com você. E você só sente desprezo por mim. E ainda assim me sinto culpado. Todos os cômodos, tão lindamente decorados, tudo tão controlado em sua vida. Não há espaço para sentimentos verdadeiros. Nenhum. Entre nenhum de nós. Com exceção da Renata, que nunca deu a mínima para você. Você a venerava. Você venerava o talento. Bem, o que acontece com aqueles que não podem criar? O que faço quando sou sufocado por sentimentos? Como posso expressá-los? Tenho tanta raiva de você! Não percebe? Você não é uma pessoa doente. Seria fácil demais definir assim. A verdade é que existiu perversão e intenção nas suas atitudes.

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a prize for someone’s silliness.

Abril 12, 2009

celebrate

Just fuck you and die!

Lá em cima estava eu sentado quando de repente começa a tocar Spaceman do The Killers. Quase antes de eu ir embora. Levantei e saí correndo para o andar de baixo. Tentei evitar aquela garota que havia me dado um olhar mortal quando eu tinha chutado alguma coisa dela que estava no chão – talvez um copo ou uma garrafa de cerveja. Fui por um outro caminho. Já era a segunda vez que Donnie Darko estava passando. Ainda bem que nem enxerguei a cara da Jena Malone. Soltei um pouco o corpo, dei uma sacudida, cantei a música. Acho que ali eu soltei tudo o que aquela noite tinha me causado. Já não aguentava mais meia dúzia. Subi de novo. Sentei, esperei, fui embora. A minha estreia não foi como eu esperava. Por causa de fatores externos. As metas foram alcançadas – menos as minhas – e com todos os méritos. Parabéns! Quem sabe o dia trinta não vai ser melhor… Agora, just fuck you and die!

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mistakes were made.

Abril 5, 2009

weremade

Being miserable is still better than being an idiot.

Quando eu vejo filmes com mães relapsas em cena, meu termômetro de irritação sobe nas alturas. I mean, mãe é mãe, a essência do protecionismo, o coração do afeto e estão sempre aí para os filhos, independente de qualquer obstáculo. Agora, “pai é uma merda”, como diria uma colega minha. Nem a minha amada Meryl Streep consegui perdoar quando ela abandonou o seu filho em Kramer vs. Kramer. E incrível como nesses filmes onde as mães são umas filhas-da-puta os pais são endeusados de uma forma absurda. Claro que não nego que existem bons pais por aí – mas afirmo com a maior certeza de que a maioria só dá problema e decepção. Eu, por exemplo, caí nesse grupo. Os eventos do último sábado confirmam isso. Não é fácil ser depreciado por alguém que te botou no mundo. Principalmente por alguém que não tem a mínima moral pra falar coisas de gênero. Mas, enfim, let it be. A vida dá o troco. Pai é uma merda.

O sábado em si foi estranho, by the way. Em todos os aspectos. Desde a aula de manhã povoada por emos vestidos de Harry Potter até os telefonemas depreciativos no final da noite. Eu odeio fins-de-semana. Nesse ano de 2009, aprendi a gostar mais da semana do que do fim-de-semana. “Culpa” da faculdade, o ambiente de ensino mais positivo que eu já pisei em toda a minha vida. Principalmente por causa das pessoas que estão lá. Sábados e domingos, portanto, tornam-se vazios na maioria das vezes. Hopeless emptiness. Tem sido assim, mas ultimamente tudo isso é acompanhado por fatos estranhamente novos e repetidos, sensações bizarramente certas e erradas. Enquanto várias abobrinhas acontecem, deixo de lado o meu trabalho de história da comunicação, o meu episódio final de Damages, o meu livro de Revolutionary Road, o meu bom senso. Faço o que penso, me expresso como quero e chamo de merda quem merece. Afinal de contas, existem fatos melhores para comerem o meu tempo num sábado, por exemplo. Tempo não deve ser perdido com gente inútil. É assim daqui por diante. Quem fica, fica. Quem sai de cena, nem será avisado. Vai notar depois. E não vai ter volta.