
“Who are you? What are you fighting for?“
Antes, quando eu tinha o meu pequeno blog de cinema com um número mínimo de visitantes, eu dava a minha opinião e ninguém me atordoava. Eu acreditava que vivia numa ditadura, onde o que eu dizia era a verdade. O tempo passou, a minha ambição por popularidade cresceu e o velho e tímido Cinema 2006 agora se tornou o povoado Cinema e Argumento. Eu, que sempre defendi os alternativos e que não apoiava o povão tenho que admitir que me vendi. Por um preço bem baixo, por sinal. Posso até ter ganhado credibilidade e aprimorado o meu estilo de escrita com a prática (mais precisamente com a minha preocupação do meu texto ser lido por várias pessoas), mas a verdade é que eu ganhei pouco em troca.
Primeiro, vi que o meu blog é apenas mais um na internet. Tem gente muito mais dedicada do que eu, que escreve muito melhor. Eu não tenho paciência para ficar revisando texto (e é por isso que volta e meia as minhas críticas tem alguns erros de digitação) e tenho pavor de ficar ajeitando foto para post. Ou seja, tecnicamente já sinto distanciamento. Segundo, pode até parecer mentira, mas a verdade é que eu não vou muito ao cinema. Só em época de Oscar. Então, enquanto os blogs estão pipocando com resenhas de estreias, eu humildemente publico os filmes que vi em dvd. Terceiro, tenho extrema dificuldade em comentar nos endereços dos meus amigos blogueiros. Se já não tenho paciência pra manusear o WordPress, imagina comentar em TODOS os sites que tenho no meu blogroll. Sem falar que às vezes mais da metade fala de um determinado filme.
Mas o que mais anda me desmotivando nesse mundo de blogs é o tendecionismo dos blogueiros. Explico com um exemplo: o duelo entre Mickey Rourke e Sean Penn na corrida do Oscar. A opinião quase que generalizada dos blogueiros ANTES DO OSCAR: “Penn está ótimo, mas é Rourke o grande merecedor da estatueta”. A opinião quase que generalizada DEPOIS DO OSCAR: “Penn está brilhante e o seu Oscar realmente foi mais digno que o de Rourke”. Impressionante como que a maioria fica tendencioso a opinião dos outros. Outro exemplo claro é o do vencedor desse ano Quem Quer Ser Um Milionário?. Adoro o filme, mas desde o início sempre disse que não merecia tanto Oscar. Daí eu era o maluco, o do conta. Bastou o filme ganhar oito prêmios que todo mundo se bandeou pro meu lado. Daí eu fico parecendo mais um maria-vai-com-as-outras.
Já diria a minha professora de Teoria da Comunicação que a internet é uma benção e uma maldição. Enquanto temos coisas muito boas sendo divulgadas, também tem muita porcaria. O espaço ficou amplo demais, qualquer um pode sair por aí dizendo qualquer coisa. Portanto, encontramos blogs por aí escrevendo “mecheu”, “concerteza” ou “arrecém”. É só ler erros grotescos assim que eu fico completamente desmotivado. Desmotivado por saber que existem pessoas de certa forma despreparadas e descuidadas para sairem publicando sua opinião. Acho que primeiro nós temos que absorver informação para depois colocar em prática. Podiam ao menos colar o texto no Word pra ver se está tudo certo. Durante muitos anos eu escrevi bobagens pela internet – e sorte que era na época que o mundo cibernético ainda não tinha sofrido um boom – e com o tempo fui aprendendo que devemos ter muito cuidado com o que dizemos. A sociedade é fruto de nossas interações sociais.
E é exatamente aí que está o meu maior arrependimento. Entrei num número infinito de blogs, e hoje estou perdido. Tarde demais pra querer ser o antigo Matheus que antes só selecionava coisas que ele realmente gostava. O Cinema e Argumento pode até me dar bastante orgulho – especialmente porque eu acho sim que consegui atrair leitores fiéis e de qualidade – mas é uma pena que ele não tenha a personalidade que eu gostaria que ele tivesse. É por essa e por outras que minhas atualizações tem sido escassas (no mês passado, por exemplo, publiquei apenas seis posts) e minha empolgação com esse mundo tem estado cada vez menor. Mas o endereço vai continuar lá, já que ele ainda continua sendo um grande motor de promoção dos meus textos. Esse é o desabafo de um blogueiro cinéfilo que está desiludido com o seu meio…













