
“What we feel isn’t important. It’s utterly unimportant. The only question is what we do.”
Passado. Todo mundo tem. Alguns, dos mais tenebrosos. Outros, dos mais simples possíveis. Eu faço parte daqueles que não se orgulham muito do que aconteceu anteriormente, mas com muita frequência gosto de ficar me lembrando de algumas coisas. Pode até não parecer, mas eu sou um grande saudosista. Bem romântico da primeira fase; lembrando agora das minhas péssimas aulas de literatura mas que, estranhamente, me ensinaram algumas coisas. Na realidade, o meu saudosismo se refere aos anos que vieram a partir de 2004, o resto prefiro esquecer. Completamente, de preferência.
Esse assunto surgiu por duas razões. Uma delas foi porque eu tive a oportunidade de rever O Leitor e outra porque ouvi a trilha do novo filme da Pixar, Up, e o nome de uma composição me marcou: memories can weigh you down. A trilha do Giacchino pra esse filme é maravilhosa e um nome como esse para uma canção de um desenho animado só poderia vir da Pixar… Mas enfim, chega de ficar puxando o saco da produtora. O fato é que O Leitor é um filme muito incompreendido.
Datado como o filme que roubou a vaga do Batman no Oscar, O Leitor é um intenso estudo sobre culpa e amor… E também sobre passado. Impressionante como o filme dá um toque todo especial nessa história de que como o passado é um dos fatores que moldam quem somos hoje e como pensamos ou sentimos. Por exemplo, o jovem Michael Berg do filme pode até punir a misteriosa Hanna Schmitz pelos crimes nazistas dela, mas em momento algum deixa de amá-la pelo bom ser humano que ela também é ou pelo que ela representou no passado para ele.
Filme revisto, passei a pensar um pouquinho. Fiz um comparativo: o que certas pessoas são para mim hoje e o que elas foram para mim um dia. Claro que eu não descobri que alguém é Hanna Schmitz com segredos terríveis… É, até por ali… Enfim, o resultado dessas comparações é, no mínimo, estranho. São pouquíssimas as pessoas que permaneceram as mesmas pra mim desde o momento em que as conheci. Outras, mudaram completamente – para o bem ou para o mal.
Mas eu fico aqui sempre falando dos outros, sobre como os outros mudam ou sobre a atitude dos outros. Porém, what about me? Ih, uma figura totalmente diferente a cada ano. Sempre estou em metamorfose, sempre. Para alguns, isso é uma coisa boa. Para outros, nem tanto. Por exemplo, vamos analisar rapidamente um histórico meu. 2005: círculo de amizades quase nulo e dificuldades no colégio. 2006: dificuldades no colégio mas com um significativo círculo de amizades. 2007: um amigo aqui, outro ali, assaltado umas três vezes, depressão literal, um dos piores anos da minha vida. 2008: algumas amizades, algumas coisas novas, perambulando pelo centro, nenhum assalto, aprendizado em decadência. 2009: de repente popularidade, milhões de amigos, estabilidade, mas always giving parties to cover the silence. Eu vivo mudando. Ou será que só eu penso assim?